— Dirigir me dá a sensação de estar voltando para casa. — disse Fernando Gomes.
Fiquei surpresa com a simplicidade da resposta dele, sem saber por onde começar a compreender de maneira mais ampla.
Fernando Gomes logo continuou:
— Passei quase dez anos fora do país. Durante todo esse tempo, o que eu mais queria era voltar para casa. No começo, era minha saúde que não permitia, depois, quando finalmente pude, já não tinha mais um motivo para voltar.
O carro à frente avançou e ele rapidamente ligou o motor para acompanhá-lo.
Ele parou por aí, mas suas palavras despertaram minha curiosidade.
Principalmente a última frase: “Quando finalmente pude, já não tinha mais um motivo para voltar.”
Voltar para casa é apenas isso, voltar para casa. Precisa mesmo de um motivo?
O carro seguia aos trancos e barrancos e, às quatro da tarde, finalmente chegamos à Cidade Capital.
A Cidade Capital não era igual à Cidade B.
Nesse horário, em Cidade B, as ruas já estariam praticamente desertas, as pessoas já dentro de casa, sentadas à mesa, celebrando em família.
Na Cidade Capital, as avenidas largas ainda estavam cheias de carros e gente, tudo muito movimentado.
O carro parou em frente a uma mansão isolada. Fernando desceu, deu a volta e abriu a porta para mim:
— Pode descer.
— Essa é a sua casa? — Olhei ao redor, curiosa. O lugar era imponente e luxuoso, mas havia um certo vazio no ar.
Na minha imaginação, uma casa centenária da família Gomes teria varandas, colunas esculpidas, pontes sobre lagos, telhados antigos — aquele clima de tranquilidade, história e beleza clássica.
A mansão era elegante e sofisticada, mas não tinha aquele ar tradicional, a atmosfera de um verdadeiro lar ancestral.

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