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Casamento de Mentira, Amor de Verdade romance Capítulo 330

Se eu soubesse que aquele José Godoy, solitário e rejeitado pelos colegas na infância, um dia viria a me sequestrar, será que, naquela época, eu ainda teria escolhido salvá-lo e ser sua amiga?

Provavelmente não.

Infelizmente, éramos apenas crianças e não tínhamos como prever que aquele José Godoy, tão tímido e frágil, se tornaria alguém tão cruel depois de adulto.

— Por que está fazendo isso? José Godoy, isso é sequestro. O corredor do prédio tem câmeras, você não vai conseguir me levar daqui sem pagar um preço alto por isso.

— Pronto, Francisca, comporte-se. Preparei aquele frango ao curry que você gosta. Já são quase dez horas, se não jantar logo, seu corpo não vai aguentar. Depois de tantos anos fora, não aprendi muitas coisas, mas cozinhar ainda sei bem. Prove um pouco.

Naquele momento, José Godoy e eu parecíamos habitantes de mundos opostos, incapazes de nos comunicar de verdade.

Eu temia irritá-lo, então obedeci, levantando da cama, e, enquanto ele se distraía, peguei o celular deixado na mesinha de cabeceira. Fui com ele até a cozinha, tentando encontrar uma oportunidade para pedir ajuda.

Ao sair do quarto, dei de cara com uma sala ampla. À direita, uma varanda; à esquerda, um ambiente integrado de cozinha e sala de jantar.

Sobre a mesa em formato de pétalas, alguns pratos estavam dispostos. Numa tigela branca de porcelana, a fumaça subia do que parecia ser uma canja de feijão-vermelho.

Antes, nem estava com fome, mas ao ver a comida, meu estômago começou a roncar alto, de um jeito impossível de ignorar.

O barulho foi tão alto que até José Godoy percebeu. Ele sorriu, contido, puxou uma cadeira e me fez sentar, depois deu a volta e sentou-se do outro lado. Com os dedos longos, empurrou a tigela em minha direção.

— Beba a canja. Coloquei açúcar, como você gostava antes.

Eu estava faminta, realmente faminta.

Mas, olhando para aquela canja espessa e os acompanhamentos cheirosos, não consegui comer nada.

Ou melhor, não ousei comer.

Se José Godoy era capaz de me sequestrar, colocar algum remédio na comida e fazer algo pior seria fácil para ele.

— Diga logo o que quer, José Godoy. Me sequestrar… o que você espera conseguir com isso? Para ser franca, não tenho coragem de comer a comida que você preparou.

Seus olhos estremeceram, ele levantou o olhar e me fitou com uma expressão ferida.

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