Meu coração disparou.
Estava em um lugar totalmente desconhecido, e se algo desse errado, sozinha como estava, facilmente poderia ser soterrada pelo frio e pela neve.
Mas, naquela altura do caminho, não havia como recuar. Mesmo com o medo crescendo, a única opção era continuar descendo.
Pensei, sim, em pegar o celular e pedir socorro.
Só que o vento estava tão forte que mal conseguia me equilibrar em pé. Parar, tirar a mochila para buscar algo – tudo aquilo seria perigosíssimo.
Comecei a me arrepender. Por que fui escolher esse caminho?
Havia opções melhores, era só ter seguido por outra trilha.
Só arrumei problema pra mim mesma.
Quanto mais descia, mais difícil ficava o trajeto, e a sensação de solidão e pânico só aumentava.
De repente, escorreguei feio e fui, junto com a prancha, direto contra uma pedra à frente.
A roupa grossa de neve não ajudava, a mochila era enorme e pesada, e os esquis pareciam não me obedecer mais.
Senti uma forte pancada na cabeça, um zumbido, e então não me lembro de mais nada.
Antes de perder a consciência, percebi meu corpo deitado no chão. Os flocos de neve giravam no céu, caíam frios sobre meu rosto e logo se derretiam.
Seria assim que eu morreria de frio, perdida ali?
Eu não queria isso.
Foi como se tivesse começado a sonhar.
No sonho, era o ano em que terminei o ensino médio. Muitos colegas estavam juntos, cantando e dançando.
José Godoy se aproximava empurrando um lindo carrinho de bolo. Pegou um buquê de rosas vermelhas que estava em cima e, ajoelhando-se diante de mim, disse:
— Francisca, eu gosto de você. Quer namorar comigo?
— Obrigada pelo sentimento, mas eu não gosto de você desse jeito. Por isso, não posso aceitar. Desculpe.
— Como assim não gosta de mim? Crescemos juntos, esperei por esse dia durante anos! Como pode recusar?
— Gostar é coisa de dois, José. Você não pode me obrigar a nada só porque sente isso.
Foi então que ele, saindo das sombras como uma muralha contra o vento, postou-se atrás de mim e falou:
— Fez bem. Aquilo que não serve pra gente precisa ser recusado na hora, sem deixar pendências.
No mesmo instante, o rosto de José Godoy ficou monstruoso, se transformando numa boca enorme, com presas afiadas, que tentava morder meu pescoço.
Aterrorizada, gritei sem pensar:

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