No passado, durante a ida à estação de esqui, eu realmente não suportava o clima gelado de estar no mesmo carro que Fernando Gomes, nem o olhar investigativo do Dr. Erick, que parecia querer descobrir algo a qualquer custo. Por fim, decidi voltar para o ônibus grande.
Apesar de não haver realmente nada entre mim e Fernando Gomes, aquele olhar de Erick Diniz, diante de todos, cedo ou tarde acabaria gerando fofocas.
Antes de o ônibus partir, fui ao banheiro. Vi comentários de internautas dizendo que o traje de esqui era pesado, difícil de tirar, e que ir ao banheiro era especialmente incômodo, então resolvi resolver logo qualquer necessidade fisiológica.
Ao sair, pensei em lavar as mãos, mas uma moça que acabara de lavar as suas balançava os dedos, resmungando sobre a água gelada que parecia cortar, o que me fez perder a coragem. Em vez disso, peguei um lenço umedecido da bolsa e limpei bem as mãos.
De repente, uma sombra caiu ao meu lado, cobrindo completamente a minha própria sombra.
Aquele aroma frio e marcante era inconfundível — Fernando Gomes.
O mundo é mesmo pequeno, até no banheiro acabo esbarrando no chefe.
No espelho à minha frente, o rosto de Fernando Gomes parecia esculpido em gelo, com uma frieza assustadora.
Se olhares matassem, o dele certamente congelaria alguém ali mesmo, partindo em milhares de pedaços.
— Bom dia, chefe. Não dormiu bem? Parece um pouco abatido — tentei quebrar o gelo com um sorriso forçado.
Assim que terminei de falar, me arrependi. Tive vontade de me esbofetear.
Por que fui tocar logo nesse assunto? Era cavar minha própria cova.
— Diretora Francisca, está duvidando da minha competência? — A voz de Fernando Gomes soou como uma maldição saída das profundezas, fazendo meu coração disparar.

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