—Víctor! — Serena Cruz estava caída no chão, pequena e frágil como se tivesse se despedaçado.
O olhar de Víctor Laranjeira não demonstrava o menor traço de emoção. Com frieza, disse:
— Eu te avisei, não mexa com a Francisca. Ela é minha esposa e, aconteça o que acontecer, esteja ela certa ou errada, sempre estarei do lado dela. Você escolheu esse caminho, agora aguente as consequências.
Essas palavras apertaram meu peito, quase me fizeram chorar.
O que toda mulher mais deseja é esse tipo de proteção cega, essa escolha incondicional.
Finalmente ouvi isso com meus próprios ouvidos — justo no momento em que decidi largar tudo.
Portanto, já não tinha mais sentido.
Cansada de toda aquela confusão, peguei minha mala para ir embora. Víctor Laranjeira, porém, foi mais rápido: arrancou-a da minha mão, me puxando com força e quase me fazendo cair.
Esse era o tipo de amor dele: sufocante, capaz de me destruir.
— Víctor Laranjeira, chega! Este lugar tóxico me sufoca. Ficar aqui mais um segundo é morrer aos poucos. Por favor, seja humano, tenha compaixão. Já estou cheia de feridas. Precisa mesmo me ver morrer aqui para se dar por satisfeito?
— Não, você não vai embora! Tudo o que te devo, pagarei mil vezes. Mas você tem que ficar. — Víctor Laranjeira levou minha mala consigo, decidido.
O choro de Kelly ecoou de repente, me fazendo engolir as palavras que eu ia dizer.
— Mamãe, não vai embora! A Kelly não pode ficar sem a mamãe. Esta é a casa da mamãe, a mamãe não pode sair.
Mais uma vez, um emaranhado de emoções.
Serena Cruz era mesmo um desastre!
Desde que apareceu, ninguém teve mais sossego.
Kelly se agarrava à minha perna, pequena e desolada, chorando e implorando para eu não partir.
Víctor Laranjeira segurava meu pulso direito com teimosia, o rosto sombrio e os olhos tomados por uma obsessão doentia.
Eu poderia me desvencilhar de Víctor Laranjeira, mas não tinha coragem de afastar Kelly.

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