O trecho seguinte da viagem foi dirigido por Fernando Gomes.
Ele não me perguntou o endereço, mas conduziu o carro com precisão até a porta do meu prédio.
— Chefe, como o senhor sabia o endereço da minha casa?
— Está registrado no seu arquivo pessoal.
Fiquei sem palavras.
Eu não tinha certeza se aquele endereço realmente constava no meu arquivo, apenas admirei a memória do chefe. Ele lembrava até o endereço da minha família antes de eu me casar, com absoluta clareza.
— Não é fácil ser chefe, até os arquivos dos funcionários precisa decorar.
Fernando Gomes lançou-me um olhar como se eu fosse uma tola e respondeu friamente:
— Só me preocupo com aquilo que quero me preocupar.
Ele disse isso enquanto eu já empurrava a porta da velha casa. Ouvi suas palavras, mas não me aprofundei no assunto, pois todos os meus sentidos estavam tomados por uma saudade e uma tristeza avassaladoras.
Chorei com o coração partido. Fernando Gomes não pronunciou uma palavra de consolo. Ao contrário, ajudou-me com naturalidade, pondo a casa em perfeita ordem, sem deixar vestígio de poeira.
No inverno de Cidade B, a noite chegava especialmente cedo.
Eram pouco mais de quatro horas e o céu já estava tomado pela escuridão.
Alguém bateu à porta. Fernando Gomes foi atender e voltou com dois grandes sacos nas mãos.
Ele parou diante da geladeira e, com movimentos extremamente habilidosos, guardou cada item dos sacos.
Nascido na família Gomes, tão tradicional e numerosa, e sendo o destaque da sua geração, era surpreendente vê-lo lidar com as tarefas domésticas de maneira tão organizada.
Era realmente algo raro.

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