No passado, eu tinha muito respeito por ele. Mas, desde que soube que era o pai de Víctor Laranjeira, talvez seja um problema do meu próprio temperamento, não só perdi o respeito de antes, como também passei a sentir uma antipatia inexplicável por ele.
As desavenças da geração passada me são desconhecidas; só por ele ter ignorado Víctor Laranjeira durante trinta anos, sem sequer comparecer formalmente ao casamento do próprio filho, já é suficiente para mostrar que é uma pessoa irresponsável.
— Me desculpe, ainda tenho outros compromissos depois. Perto da empresa tem uma cafeteria, que tal irmos até lá conversar um pouco?
— Por mim, tudo bem.
Trabalho na InovaBrasil há mais de cinco anos, e aquela cafeteria existe há quase o mesmo tempo. Tanto o dono quanto os garçons já são velhos conhecidos.
Assim que me viram, um dos garçons nos conduziu a um canto mais reservado e nos acomodou.
— Srta. Lobato, o que vai querer? O de sempre?
Eu até gostaria de dormir bem esta noite, então dispensei o café.
— Pra mim, um suco de maçã natural. Para este senhor, um chocolate quente.
Cesar Laranjeira me olhou surpreso, um brilho indecifrável cruzou seus olhos. Parecia que ia levantar a mão para chamar o garçom de volta, mas, por algum motivo, desistiu e apenas se recostou no sofá, com um ar nostálgico no olhar.
— Filhas sempre sabem agradar, hein? Ainda lembra do que eu gosto... Só que agora, com a idade, quase não bebo mais nada além de café preto ou chá verde.
Ele estava me dando um toque sutil, dando a entender que eu não deveria ter escolhido por ele.
— Me desculpe, tio Cesar. Minhas lembranças sobre o senhor ainda são da infância. Naquela época, o senhor era muito gentil com José Godoy e com todas as crianças. Acho que acabei esquecendo que já faz dez anos desde então.
Mesmo tendo me divorciado de Víctor Laranjeira, diante desse ex-sogro tão ausente, ainda sentia vontade de defender um pouco o Víctor.


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