Influenciada por aquela cena que presenciei com meus próprios olhos e pelo diário, acordei naquela manhã sentindo-me sem ânimo, com o espírito em frangalhos.
O céu lá fora estava tão carregado que parecia prestes a desabar, e a previsão do tempo anunciava chuva ou até mesmo chuva com granizo.
Após terminar o café da manhã, estacionei o carro na garagem subterrânea e peguei o elevador panorâmico direto ao último andar, percebendo que a chuva já caía forte do lado de fora.
Os prédios, carros e pedestres lá embaixo encolhiam rapidamente, todos engolidos por um véu branco de chuva intensa.
Era como os seis anos que perdi: encobertos por uma névoa, impossíveis de enxergar claramente. Quando, finalmente, tudo se torna claro, já é hora de desistir e de perder.
Ao olhar para trás, percebo: seis anos se passaram e, fora a idade, nada me restou. Não consegui evitar um suspiro.
— Não imaginei que trabalhar fosse tão doloroso para a Diretora Francisca, a ponto de fazê-la suspirar. — Uma voz fria e distante ecoou suavemente.
Olhei ao redor, procurando de onde vinha aquela voz.
Soava exatamente como o meu chefe supremo, sempre tão reservado e impecável.
O elevador panorâmico era pequeno e raramente alguém o utilizava. Muito menos o meu chefe, que tinha seu elevador privativo!
Quis acreditar que fosse apenas imaginação. O chefe jamais pegaria o elevador panorâmico.
Mas, ao levantar os olhos, avistei à direita, na parte opaca do elevador, um homem alto.
Usava um terno preto impecável, a gravata perfeitamente alinhada, a pele mais clara e suave que porcelana, o maxilar tão marcado que parecia cortante, e traços tão belos que até eu, mulher, sentia inveja.
Era mesmo ele!
— Olá, chefe, que cedo! Mas por que o senhor...
— A Diretora Francisca também não está atrasada.
— Haha, obrigada pelo reconhecimento, chefe.
Enquanto conversávamos, o elevador chegou ao topo e as portas se abriram silenciosamente. Fernando Gomes esperou que eu saísse antes dele.
Ao chegar à porta do escritório, digitei a senha. De longe, Fernando Gomes elevou a voz:
— Ainda não te dei os parabéns, Diretora Francisca. Feliz divórcio!



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