O rosto de Flávia ficou imediatamente ruborizado; envergonhada, ela me empurrou de leve.
— Não é nada disso, para de falar bobagem.
— Eu, hein? Diferente de você, que vive falando coisa sem sentido. Mas, olha, estar com o Lion também não é lá tão ruim… pelo menos, com ele, você pode jantar em qualquer restaurante caro quando quiser, não é?
— Você está enganada, não é por causa do dinheiro dele.
— Nossa, que nobre. Mas, me diga, entre o dinheiro e o charme, você tem que gostar de alguma coisa nele, não?
Cecí então levantou os punhos, ameaçando me bater, mas eu a segurei e comecei a fazer cócegas nela.
O assunto morreu ali mesmo, só mais uma piada entre amigas, nada para se levar a sério.
Fernando Gomes tinha Marina Batista como noiva — uma mulher jovem, bonita, de família tradicional.
Por mais que os dois parecessem tão opostos, ninguém sabia ao certo como era a relação deles; talvez fosse justamente essa a “graça” entre eles.
De qualquer forma, não havia chance alguma de Fernando Gomes se interessar por mim — uma mulher divorciada.
No máximo, no máximo, ele teria aquele jeito de chefe frio, disposto a me fazer trabalhar para ele com gosto.
É verdade que eu tinha um pouco mais de contato com Fernando Gomes do que os outros, mas sempre por motivos de trabalho — nunca houve nada pessoal entre nós.
Mesmo assim, as palavras da Flávia me serviram de alerta.

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