A foto era antiga, suas cores já haviam desbotado, mas mesmo assim, reconheci imediatamente minha mãe quando jovem. Ela era tão bonita.
O que realmente me chocou, porém, foi ver quem estava sentado bem ao centro, na primeira fila: o patriarca da família.
Era ninguém menos que o senhor Carlos Batista, aquele a quem eu tanto desejava pedir para ser meu mentor!
O senhor Carlos Batista era, na verdade, meu avô materno!
Aquele bebê de vestido de princesa, aconchegada nos braços dele, só podia ser Serena Cruz.
Então, Serena Cruz era minha prima!
Minha prima, que sofreu tanto, em algum canto desconhecido por mim.
E a raiz de todo sofrimento dela, surpreendentemente, era eu.
Víctor Laranjeira... Não me recordava de ter tido qualquer contato com ele.
Além disso, ele sempre dizia que tudo aconteceu porque confundiu as pessoas, e que isso levou a todos os desdobramentos posteriores. De quem, afinal, ele pensou que Serena Cruz fosse?
De repente, lembrei do caderno que eu havia largado no escritório.
Talvez todas as respostas estivessem naquele diário.
Lavei o rosto rapidamente e, sem muita preocupação com o que vestir, peguei a primeira roupa que vi, saí de carro direto para a empresa.
Com o diário em mãos, as palavras de Serena Cruz ecoavam na minha mente; faltava-me coragem para abri-lo.
Temia que o que estivesse escrito ali fosse demasiado doloroso, algo que eu não suportaria.
Desci com o diário, planejando lê-lo em casa.
Não esperava encontrar Fernando Gomes. Ele estava parado diante da porta do meu escritório, o olhar atento e frio.
— O que faz aqui na empresa no fim de semana? Diretora Francisca, você não parece nada bem, está com um aspecto péssimo. Quer que eu a acompanhe ao hospital?

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento de Mentira, Amor de Verdade