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Casamento de Mentira, Amor de Verdade romance Capítulo 188

Desde criança, eu nunca tinha visto tanto sangue assim. O vermelho gritante me deixou com as pernas bambas e os olhos secos de tanto esforço para não chorar.

Víctor Laranjeira deu um passo para trás, escondendo a mão ferida atrás do corpo. Com um sorriso fraco, cheio de carinho e resignação, disse com voz vacilante:

— Não é nada, não olhe, Francisca. Fica calma, não faça escândalo. Fica longe de mim, você gosta tanto de limpeza, não se aproxime do meu sangue. Por favor, Francisca, afaste-se, mais um pouco.

As lágrimas, teimosas, brotaram dos meus olhos sem parar, não adiantava tentar enxugar.

Naquele momento, Víctor Laranjeira me fez lembrar de quem ele era antes — e um aperto dolorido tomou conta do meu peito.

Um homem tão bom como Víctor Laranjeira, alguém que seria capaz de arriscar a própria vida por mim... Como foi que ele pôde me trair? Como chegamos a esse beco sem saída?

Fernando Gomes logo apareceu com a equipe de emergência. O pessoal responsável pelo parque veio também, levando a mulher fora de si dali.

Os socorristas fizeram um curativo rápido em Víctor Laranjeira, colocaram-no numa maca e o levaram ao teleférico exclusivo de resgate.

Ele tinha ido ao parque sozinho. Com tanto sangue perdido, estava claramente exausto. Fui obrigada a acompanhá-lo ao hospital como sua familiar.

Quando o teleférico começou a se mover, vi Fernando Gomes de longe, parado, com o olhar fixo em mim.

Percebi que, nas costas dele, havia uma enorme mochila com um buquê de flores do campo — amarelas, azuis, roxas, vermelhas —, todas muito bonitas.

A ambulância nos aguardava ao pé da montanha, ligou a sirene e partiu velozmente para o hospital mais próximo.

Víctor Laranjeira estava de olhos fechados, a palma da mão direita virada para baixo e a mão esquerda apertando com força o pulso ferido. Os dentes cerrados, a mandíbula marcada pelos dentes cravados.

O estilete era afiado demais. Com todo aquele sangue, dava para ver que o corte era profundo, o ferimento grave.

Deve estar doendo tanto...

Sentada na parte de trás da ambulância, olhei o rosto de Víctor Laranjeira, tomada por uma angústia que não sabia explicar.

Em algum momento, ele abriu os olhos e, discretamente, tentou entrelaçar o mindinho do lado esquerdo ao meu.

Saí do meu torpor, puxando a mão de volta por instinto, evitando qualquer contato com ele.

Ele me salvou, sou grata.

Capítulo 188 1

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