Lion estava dirigindo, Erick Diniz sentava no banco do carona, e eu e Fernando Gomes ocupávamos o banco de trás.
Eu realmente não conseguia entender por que Erick Diniz, um diretor do departamento jurídico, ficava correndo para lá e para cá com a gente.
Se ele não estivesse aqui, eu poderia ter ficado no banco da frente, evitando ser congelada pelo ar-condicionado do banco de trás.
O que também me intrigava era esse grande chefe. Por que alguém tão importante preferia passar o dia inteiro resfriando o carro como se fosse um aparelho de ar-condicionado ambulante?
De Cidade Capital até Cidade B eram cerca de mil quilômetros, uma viagem de carro de oito a nove horas, ou, de avião, no máximo três horas – rápido e confortável, muito melhor.
No entanto, meu querido chefe decidiu ir de carro!
Já eram seis da tarde. Considerando oito horas de viagem, sem nenhum imprevisto, chegaríamos à capital por volta das duas da manhã.
O aeroporto ficava nos arredores da cidade, mas nosso carro seguia acelerado pela estrada.
Depois de uma hora, o cansaço da fome me fez suar frio nas palmas das mãos. Senti que não aguentaria muito tempo.
Enquanto eu remexia minha bolsa em busca de balas, o carro freou bruscamente. Lion, com toda sua formalidade, anunciou:
— Chegamos, chefe. Por favor, pode descer.
Surpreendentemente, paramos em uma grande chácara.
O estacionamento estava quase cheio. O ar era tomado pelo aroma simples e caseiro da comida do campo, o que me fez salivar imediatamente.
Na época da faculdade, havia um restaurante rural atrás da minha universidade. Era um lugar pequeno, com apenas três mesas para quatro pessoas. A comida era incrivelmente saborosa e com preço acessível. Eu costumava ir lá umas duas ou três vezes por semana.
Os tempos mudaram. Hoje, até os milionários começaram a buscar uma vida mais saudável. Alguns até sonham em retornar ao campo; para quem não pode, resta o consolo da comida rural.
Nunca imaginei que alguém tão refinado quanto Fernando Gomes também apreciasse a comida simples e saborosa do campo.
Éramos apenas quatro, então escolhemos uma mesa junto à janela.
O pôr do sol quase terminava, restando apenas um arco estreito e brilhante no horizonte, tentando se despedir com o último brilho.
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