Dona Domingos e um dos diretores da escola vieram até mim, com uma expressão séria, exigindo que eu os acompanhasse para conversar com o médico sobre um assunto importante.
O médico disse:
— O nível de oxigênio no sangue da paciente caiu para trinta e cinco, mesmo com o uso do respirador. Ela não tem mais capacidade de respirar sozinha. Em termos simples, se retirarmos o tubo de oxigênio, ela morrerá imediatamente, não há mais possibilidade de reanimação. Para ser ainda mais claro, mesmo com o respirador, no máximo até amanhã ela partirá por conta própria. Manter ou não o suporte, ou permitir que ela sofra menos, é uma decisão da família. Não cabe a nós sugerir nada além disso.
O diretor da escola sugeriu que retirássemos o aparelho agora, porque, se o óbito ocorresse após quarenta e oito horas do incidente, não seria considerado acidente de trabalho.
Eu compreendi o que o diretor queria dizer. Ele estava pensando no meu bem.
No entanto, aquela era a minha mãe, a única família que eu tinha no mundo. Eu não suportava deixá-la partir!
Mesmo que minha mãe pudesse permanecer neste mundo por apenas mais um segundo, eu ainda seria uma filha com mãe.
Essa decisão era impossível.
Apoiei-me no vidro da parede, tentando ver claramente o rosto de minha mãe pela última vez, mas só conseguia distinguir a máscara fria de oxigênio.
— Francisca Lobato, lembra do que sua mãe dizia antes? — perguntou Víctor Laranjeira.
Minha mãe repetiu muitas vezes: se um dia ela ficasse inconsciente, não queria sofrer, queria partir com dignidade.
— Víctor, o que eu faço? Eu não tenho mais minha mãe, nunca mais terei minha mãe.
Ele me abraçou forte, os olhos marejados, o canto dos olhos avermelhado.
— Daqui a pouco o Junior Lacerda vem ficar com você. Preciso resolver algumas coisas. Seja forte.
Junior Lacerda chegou rapidamente. Víctor Laranjeira conversou algumas palavras com ele e saiu.
Quando voltou, trazia consigo duas pessoas carregando vários pacotes.
No maior pacote, estava o traje de despedida que minha mãe havia preparado para si mesma!
Minha mãe já sabia que não tinha muito tempo de vida. Não teve coragem de me contar e organizou tudo sozinha.
Antes do pôr do sol, tomei minha decisão, com muita dificuldade.

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