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Casamento de Mentira, Amor de Verdade romance Capítulo 176

— O que foi? Por que esse susto todo? — perguntei, intrigada, enquanto me aproximava.

Bastou um olhar para entender o motivo do espanto de Flávia.

Um terno de alta costura e um roupão masculino, ambos sob medida.

Enfim, as duas peças de roupa que devia ao Fernando Gomes tinham chegado.

— Pelo tamanho, não são do Diretor Laranjeira. Francisca, não me enrola. Me diz logo: pra quem você mandou fazer isso? — Flávia deu um passo para trás, analisando as roupas com olhar crítico. Um braço erguido à altura do peito, a mão livre no queixo, parecia uma especialista experiente. — Se eu for analisar, quem pode vestir algo assim é homem, pelo menos um metro e oitenta e sete, uns cem quilos, ombros largos, cintura fina, pernas longas. Se for pra achar alguém em Cidade B que possa usar isso, eu diria que só pode ser o chefão da InovaBrasil, Fernando Gomes.

Acertou em cheio!

Como essa garota consegue ser tão certeira na análise?

Fiquei sem graça diante da precisão dela, engolindo qualquer vontade de explicar.

Tem coisa que quanto mais explica, mais complica. Melhor fingir que não ouvi.

Apontei sem cerimônia para a porta:

— Um segundo, fora daqui. Já que é tão boa de análise, quero o relatório de dados hoje, antes do fim do expediente. Errou uma vírgula, desconto cinco mil do bônus trimestral.

Ao ouvir falar de dinheiro, o rosto de Flávia desabou. Ela bateu na própria cabeça, cruzou os braços com força sobre o peito e dobrou um joelho.

— Assim não dá! Quero ver se você vai continuar devendo depois dessa. Mas, Diretora Francisca, já vou trabalhar.

Mas, como diz o ditado, errar é humano, né? Se eu escorregar uma ou duas vezes, será que a senhora, magnânima, perdoa e não desconta do meu salário? Prometo que dou o sangue, faço o impossível, pulo no fogo se for preciso.

Ela me arrancou uma risada. Fingi reclamar:

— Fora!

— Já foi!

Depois de botar essa figura pra fora, respirei fundo pra me acalmar e mandei uma mensagem pro Fernando Gomes: Chefe, está por aí?

Uma abertura mais trivial, impossível!

Não vi nada demais, juro que não tinha outro sentido.

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