Já quis muito, muito mesmo, saber o motivo. Mas, agora que eu e ele estamos prestes a nos tornar completos desconhecidos, simplesmente desisti dessa ideia.
Ele conseguiria inventar mil e uma razões, mas eu não quero mais ouvir.
Para mim, hoje, o fato de ele nunca ter me tocado já é motivo suficiente para me sentir aliviada.
— Não quero saber. Agora só quero te agradecer por nunca ter passado dos limites comigo. Víctor Laranjeira, aquela página entre nós dois já foi virada para sempre. Você me conhece, sabe que quando tomo uma decisão, nunca volto atrás. Mesmo que o que me espere seja dor ou sofrimento, não vou olhar para trás.
Víctor Laranjeira me fitava em silêncio, os lábios finos cerrados, um brilho inquieto dançando nos olhos profundos.
Suspirei, sentindo meu tom suavizar.
Ele apenas traiu, eu apenas não consigo tolerar nem um grão de areia nos olhos.
Nós só não conseguimos mais seguir juntos.
Não quero que viremos inimigos.
— Víctor, volte para casa, cuide bem da Kelly e da Serena Cruz. Você deu à Serena Cruz um amor exclusivo, seja coerente até o fim. Não venha mais me procurar. Eu estou, realmente, muito cansada.
O brilho dos olhos de Víctor Laranjeira se apagou, e uma dor intensa e silenciosa ameaçava consumi-lo por inteiro.
Passei por ele e segui adiante. Sua voz ecoou atrás de mim, baixa e carregada de melancolia.
— E se eu dissesse, Francisca, que a única pessoa que amei foi você, nunca houve outra? Que… eu apenas confundi você com outra pessoa, você acreditaria?
Uma desculpa tão absurda que nem os romances mais banais ousam usar esse tipo de argumento.
Mesmo que fosse verdade e ele realmente tivesse me confundido com outra, e daí?
Erro é erro. Se alguém ama de verdade, como poderia confundir a pessoa amada?
Fui embora de carro, enquanto Víctor Laranjeira ficou parado no vento frio do começo do inverno, ereto como um poste de luz.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento de Mentira, Amor de Verdade