Ele me fitou com um olhar profundo e sombrio, abaixando a cabeça aos poucos. Fui obrigada a virar o rosto para o lado, tentando evitar ao máximo os lábios dele que se aproximavam cada vez mais.
Aqueles lábios tinham beijado Serena Cruz, tanto na boca quanto... ali. Que nojo.
Aquela mão já percorrera cada centímetro do corpo de Serena Cruz; talvez ainda houvesse algum resquício de vírus ali, ou talvez ele já tivesse contraído a mesma doença que ela.
E o jeito dele deixava claro para mim: ele sabia de tudo isso.
— Víctor Laranjeira, me solta. A Kelly vai ficar assustada.
Infelizmente, eu não era páreo para ele. Quanto mais eu lutava, mais ele me prendia com força.
Desisti de resistir, encarei seus olhos friamente.
Nos olhos dele, eu via o reflexo de mim mesma: pequena, tomada de raiva, os olhos brilhando como lava fervendo, e ainda assim, havia neles uma camada de morte, impossível de ignorar.
Era como se o homem à minha frente simplesmente não tivesse importância.
Talvez minha reação tenha realmente o surpreendido. Depois de um tempo, ele desistiu, afrouxou o aperto e, virando-se, encostou-se à parede.
Massageou a testa, bateu nervosamente no bolso do paletó, provavelmente procurando por um cigarro e, sem encontrar, ficou ainda mais irritado.
Junior Lacerda tirou do bolso uma caixa de cigarros e ofereceu-a a Víctor Laranjeira.
Víctor foi até a janela do outro lado, abriu-a, acendeu um cigarro, tragou com força. Com as duas mãos apoiadas no parapeito da janela, ficou ali, impossível decifrar sua expressão.
— Víctor Laranjeira, você agora resolveu bancar o sábio em silêncio? Fala alguma coisa! — Eu o interpelei, furiosa. — E se a Kelly for infectada? Ela é só uma criança! Você é mesmo pai dela? Como pode ser tão cruel?


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento de Mentira, Amor de Verdade