Às seis e meia, a maquiadora terminou seu trabalho, recolheu seus pertences e partiu.
Apressei-me a sair, instigada por Lion. Só quando me sentei no carro é que tive tempo de admirar minha própria maquiagem.
Era uma maquiagem bastante leve e natural: minha pele parecia porcelana, meus olhos brilhavam com vivacidade, os lábios tinham o tom suave de uma cereja, e o olhar reluzia como a superfície de um lago ao entardecer.
O traje tradicional, de corte clássico e elegante, caía sobre mim como se eu tivesse saído de uma pintura antiga, uma típica moça do sul, destas que caminham sob a chuva fina segurando um guarda-chuva de papel de arroz, compondo uma cena digna de um quadro antigo.
Meus pais sempre disseram que havia em mim um encanto nato, um ar clássico que combinava perfeitamente com esse traje tradicional.
O carro seguiu até a empresa para buscar Fernando Gomes e Erick Diniz. Afinal, eu era subordinada deles e, por respeito e cortesia, desci para recebê-los.
Os olhos de Erick Diniz brilharam por um instante de surpresa; ele deu um leve soco no ombro saudável de Fernando Gomes e sorriu:
— Você se supera, hein?
Não consegui captar o significado exato dessas palavras, nem o sorriso enigmático nos lábios de Erick Diniz.
O tempo era curto, não havia espaço para reflexões.
Os olhos encantadores de Fernando Gomes vacilaram por um momento e logo se tornaram profundos e insondáveis, com um toque de frustração, talvez.
Ele massageou a testa, murmurando algo baixo que não consegui entender.
Aquele leilão seria realizado no salão do último andar do Palácio Marajoara, o edifício mais emblemático da Cidade B.
Ao chegarmos, já havia uma multidão de jornalistas em frente ao palácio, todos equipados com câmeras e microfones, prontos para agir.
Dezenas de funcionários vestiam camisas brancas e calças sociais pretas, trabalhando com afinco dentro e fora do local.
Um tapete vermelho, com mais de dois metros de largura, estendia-se dos degraus até a porta do elevador, chamando a atenção e destacando a importância dos convidados.
Segundo a etiqueta, Fernando Gomes deveria descer primeiro, contornar o carro e abrir a porta para me ajudar a sair, demonstrando elegância e cortesia.
Mas, assim que Fernando Gomes apareceu, a imprensa correu em sua direção como se algo tivesse sido liberado — havia gente com câmeras, outros com microfones, todos tentando cercá-lo.

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