Ele vestia um roupão de seda cinza-dourado, o decote um pouco aberto, revelando uma grande extensão de pele alva e reluzente como jade. O cinto do roupão não estava bem amarrado e, a cada passo, suas longas pernas apareciam e desapareciam, insinuantes.
Trazia nas mãos uma toalha grande, secando os fios do cabelo com movimentos descontraídos. Talvez a água estivesse um pouco quente demais, pois suas bochechas estavam coradas, e seus olhos encantadores, negros e brilhantes, tornavam-se ainda mais enigmáticos, como se um véu de mistério pairasse sobre eles após o vapor do banho.
Naquele instante, senti minha cabeça girar.
Como pude esquecer que aquele grande senhor estava tomando banho?
Na verdade, era só um banho, nada além disso. Eu e ele estávamos absolutamente inocentes.
No entanto, à primeira vista, a situação definitivamente não era algo que pudesse ser explicado em poucas palavras.
— Mamãe, quem é aquele tio bonito? Por que está no seu quarto?
Víctor Laranjeira colocou Kelly no chão:
— Querida, vá brincar no seu quarto. O papai precisa conversar com a mamãe.
Kelly saiu lentamente, olhando para trás a cada passo, com os olhos fixos na tela do celular, cheia de curiosidade em relação ao homem alto que, calmamente, secava o cabelo com a toalha.
— Diretora Francisca, a temperatura da água do seu quarto estava perfeita. Muito obrigado. Por hoje é só, vou indo. Caso precise de algo, conversamos amanhã.
Após dizer isso, Fernando Gomes largou a toalha, abriu a porta com passos largos e seguros, e saiu. Sua postura era fria, altiva e imponente.
Fiquei completamente perplexa com sua atitude, convencida de que suas palavras poderiam ser facilmente mal interpretadas.
O semblante de Víctor Laranjeira tornou-se ainda mais sombrio e carregado após o gesto de Fernando Gomes. Um brilho escuro em seus olhos denunciava a raiva e a dor profunda que sentia.
Sua voz saiu rouca e baixa:
— Me diga, Francisca, quem é ele? Eu confio que você não faria nada errado, só quero saber quem ele é e por que estava no seu quarto à noite.
Eu não queria dar explicações, mas menos ainda queria ser mal interpretada sem motivo.
Minha consciência estava limpa, não admitiria ser alvo de desconfiança.
— É simples. O chuveiro do quarto dele quebrou, ele não podia tomar banho e pediu para usar o meu banheiro. Só isso.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento de Mentira, Amor de Verdade