Meus olhos brilharam de repente — não era exatamente como estar com sono e alguém trazer um travesseiro?
O grande chefe realmente era meu benfeitor. Voltando para casa, já sabia que registraria mais uma linha no meu caderninho de gratidão: “Agradecimento pela indicação do advogado”.
— Então eu vou levar a sério, Dr. Erick. É uma ação de divórcio, o senhor aceita? — perguntei, um tanto hesitante.
Ele, acostumado a assumir causas milionárias, certamente desprezaria meu caso, pequeno e cheio de detalhes complicados.
Erick Diniz lançou um olhar para Fernando Gomes. Fernando estava sentado com postura impecável, traços nobres e frios, elegante até na leveza do sorriso ao arquear as sobrancelhas.
— Diretora Francisca, a senhora não está brincando, está? A senhora mesma disse que nunca perdi um caso. E se eu ganhar o processo, mas a senhora se arrepender depois... — provocou ele, com um brilho divertido no olhar.
— Não estou brincando, é verdade. Os advogados de Cidade B estão todos intimidados pelo meu marido, Víctor Laranjeira. Ninguém ousa aceitar meu divórcio. Agora, o senhor é minha única esperança.
De repente, Fernando Gomes falou com um tom frio:
— E se se arrepender, qual o problema? No máximo, devolvemos um marido para ela.
Fiquei sem reação. Mais um que gosta de falar em compensação? Já ouvi falar em indenização com dinheiro, casa, carro... mas nunca devolver um marido.
Erick Diniz fechou a mão direita, tossiu levemente, com um sorriso estranho e indecifrável nos lábios.
— Parece interessante. Diretora Francisca, aceito seu caso de divórcio. Vamos marcar uma reunião para conversarmos sobre os detalhes.
A presença de Erick Diniz fez meu coração, que até então flutuava de ansiedade, finalmente pousar e se acalmar.


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