Guilherme não esperava que Tatiana dissesse aquilo. Seus movimentos pararam bruscamente, permanecendo de joelhos com as costas retas. Seu rosto rígido e frio escondia todas as emoções, tornando impossível discernir qualquer coisa.
Tatiana levantou a mão e, de repente, ousou acariciar sua cabeça, e um sorriso surgiu em seu belo rosto.
- Vê? Nem você consegue dar uma resposta, como quer que eu te dê uma?
- E se eu disser... - A voz de Guilherme estava rouca enquanto ele segurava a mão fria dela, seu olhar era profundo e sério, quase como uma súplica. - E se eu disser que nunca mais vou mentir para você? Tati, pode esquecer o que aconteceu nos últimos dois dias?
Como se nada tivesse acontecido. Eles ainda poderiam ser amantes vivendo uma vida tranquila e confortável, como naquele mês na pequena cidade.
Mas os acontecimentos já tinham deixado marcas profundas e irreversíveis. Como ela poderia simplesmente esquecer?
Tatiana olhou para o rosto de Guilherme e sentiu uma onda de tristeza que parecia inundar seu coração de dor.
Ela piscou, forçou um sorriso que era mais doloroso que chorar.
- Tudo bem. - Sussurrou ela.
Era mais fácil fingir que os últimos dois dias nunca aconteceram, esquecer tudo e voltar ao que eram antes. Ela seria novamente a tola que obedecia cegamente, e ele continuaria sendo o carinhoso Loh.
Que maravilha, parecia um sonho bom.
Guilherme mal podia acreditar no que ouvia, seus olhos negros brilhavam de choque. Em um instante, a incredulidade deu lugar à alegria.
- Tati, você...
- Eu quero tomar um banho primeiro. - Interrompeu ela. - Se você tiver mais alguma pergunta, pode esperar um pouco.
Tatiana afastou o cobertor e se apoiou para calçar os sapatos e sair da cama.
- Tudo bem, você pode ir tomar banho. Falamos depois.
Antes que Tatiana pudesse se mover, Guilherme já tinha pegado os chinelos e os colocado para ela, demonstrando uma habilidade que contrastava fortemente com o Sr. Borges, que ameaçava vidas diariamente.
Que diferença surpreendente.
Tatiana baixou o olhar, observando a cabeça desgrenhada dele, e mordeu os lábios antes de dizer:
- Se lembre de jantar, mesmo que a comida não esteja boa, você precisa comer um pouco.
Guilherme estava tão confuso que concordava com qualquer coisa que Tatiana dissesse. Se alguém mais estivesse presente, provavelmente ficaria boquiaberto. Aquele ainda era o Sr. Guilherme Borges, que havia saído dos mortos?
Ele não apenas ajudou Tatiana a calçar os sapatos, mas também, temendo que ela estivesse fraca demais para se manter de pé, ofereceu apoio como um cuidador de hospital cuidando de um paciente. Tatiana não pôde deixar de rir e afastou sua mão.
- Guilherme, eu ainda não estou tão debilitada assim. - Disse ela. - Quando quebrei minhas costelas, ainda conseguia andar, lembra?
Guilherme não insistiu, mas manteve o braço levemente ao redor dela, seu olhar cheio de preocupação. Ele disse:
- Mas você parece muito mais fraca do que antes.
Tatiana se virou e olhou para ele.
- E o que fazer com essa aparência fraca? Tomar banho também exige muita energia. Você pretende entrar comigo?
Ele realmente... Fazia jus ao título de senhor.
Tatiana não pôde deixar de sorrir ao pensar nisso. Finalmente, desviou o olhar, pegou uma roupa confortável e larga de seu próprio guarda-roupa e entrou no banheiro.
O som da água ecoou no banheiro, e ficou logo envolto por uma névoa suave.
A água quente caía sobre a cabeça de Tatiana, ajudando a clarear seus pensamentos confusos. Ela limpou a água do rosto e observou as gotas escorrerem lentamente pelos azulejos do banheiro.
Após alguns momentos, uma expressão de determinação surgiu em seu rosto. Decidida, ela girou a torneira para a esquerda.
Quando a água fria caiu sobre ela, Tatiana não pôde evitar tremer de frio. Não sabia quanto tempo ficou debaixo da água gelada, apenas que seus ombros estavam dormentes de tão gelados. Finalmente, ela desligou a torneira com o corpo tremendo.
Durante esse tempo, Guilherme entrou no quarto principal uma vez, provavelmente preocupado com o tempo que ela estava no banho, temendo que Tatiana desmaiasse ou sofresse algum outro acidente.
Mas ao ouvir o som do secador de cabelo no banheiro, decidiu não falar nada e fechou a porta novamente.
Tatiana saiu do banheiro depois de secar o cabelo, se sentindo um pouco tonta.
No quarto, não havia ninguém, e o cabideiro cheio de vestidos e roupas diversas estava intocado. No entanto, a mesa ao lado da cama mostrava sinais de que alguém havia passado por ali.
Havia duas pílulas e um copo de água morna. Um bilhete estava preso debaixo do copo, com a caligrafia inconfundível de Guilherme. Tatiana pegou o papel delicado debaixo do copo e, com os olhos semicerrados, leu atentamente a mensagem:
“Depois de tomar o remédio, descanse bem. Se precisar de alguma coisa, me chame diretamente.”
Ela colocou o bilhete de volta na mesa e, com seus dedos delicados, pegou as duas pílulas. Com os olhos baixos, ela finalmente se virou e jogou as pílulas no vaso sanitário do banheiro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Capítulo 535… Diz que o livro está cheio concluído, mas não está...
Por favor, continuem esse livro!...