Guilherme só percebeu que Tatiana estava com febre alta na manhã seguinte.
Os funcionários do hotel levaram o café da manhã, e ele pediu que levassem a bandeja para dentro enquanto se dirigia para bater na porta do quarto principal.
Bateu algumas vezes, mas não obteve resposta.
Preocupado, ele franziu a testa e, finalmente, decidiu abrir a porta.
O quarto estava escuro, e o leve aroma que agora pairava no ar era diferente do cheiro de remédios da noite anterior.
Guilherme deu alguns passos rápidos até a cama, notando que o copo de água morna que ele haiva levado na noite anterior ainda estava ali, pela metade.
Ao olhar para a moça deitada na cama, ele viu que ela não parecia ter percebido sua presença, parecia estar em um sono profundo.
Ao confirmar que ela estava ali, Guilherme finalmente relaxou um pouco.
- Tati?
Ele tentou sorrir e a chamar suavemente.
Como de costume, a jovem na cama não respondeu.
Guilherme suspirou, um tanto frustrado. Embora fosse importante descansar quando se estava doente, já havia passado muito tempo desde a última refeição dela; ela precisava comer algo antes de voltar a dormir.
Ele se inclinou para acordar ela, mas, ao tocar seu rosto, parou subitamente, e seu sorriso desapareceu.
Incrédulo, Guilherme colocou a palma da mão na testa de Tatiana.
Ela estava mais quente do que seu rosto.
Febre alta.
A preocupação tomou conta do olhar de Guilherme. Ele pegou o celular imediatamente e ligou para Severino.
- Venha agora, traga a caixa de primeiros socorros. - Ordenou ele.
Sua voz era fria.
Do outro lado da linha, Severino parecia ter acabado de acordar, ainda sem entender completamente a urgência da situação.
- É para a revisão da Srta. Taís? - Perguntou ele. - Se a febre já passou, não deve haver problema. Apenas cuide da alimentação dela.
Guilherme estava inicialmente sombrio, mas ao ouvir aquelas palavras, não conseguiu conter sua raiva e explodiu:
- Você ainda tem a audácia de dizer que não há problema? Ontem à noite ela estava apenas com uma febre baixa, agora está com febre alta! Se algo der errado, você vai se responsabilizar? E você ainda fala sobre cuidar da alimentação? Ela está deitada na cama, sem acordar, como vai cuidar da alimentação? Inútil! Não é de se admirar que viva na sombra do seu irmão mais novo e ainda não tenha feito seu nome no hospital da família Lacerda!
Severino ficou completamente desperto com o grito e demorou dois segundos para responder rapidamente:
- Estou indo agora, por favor, aguarde um momento.
Depois de desligar o telefone, a raiva nos olhos de Guilherme ainda não havia se dissipado. Só quando ele voltou seu olhar para o rosto de Tatiana que seu humor suavizou um pouco.
Talvez devido ao som de sua voz, a paciente na cama franziu ligeiramente a testa.
Guilherme imediatamente se ajoelhou ao lado da cama e disse:
- Tati?
Infelizmente, a pessoa deitada não respondeu, apenas franziu ainda mais a testa, perturbada pelo sono inquieto.
A temperatura dela era tão alta que não precisava de um termômetro para medir; um toque no dorso da mão já revelava a febre alta. Se continuasse assim, ela poderia acabar com sérias consequências.
Guilherme franziu a testa preocupado. Observando o rosto avermelhado de Tatiana, ele se lembrou de quando ela colocou um pano molhado sobre ele nas montanhas de Lago. Sem perder tempo, ele foi até o banheiro, molhou uma toalha e voltou para colocar sobre a testa de Tatiana.
Mal havia colocado a toalha, ela a jogou fora imediatamente. Sem abrir os olhos, seu rosto pequeno estava cheio de impaciência.
Guilherme, sem alternativa, colocou a toalha de volta, pacientemente tentando a acalmar em voz baixa:
- Tati, não se mexa, está bem?
Tatiana abriu ligeiramente os olhos, suas longas pestanas tremiam levemente, e ela disse:
Severino, carregando a maleta de remédios, se aproximou rapidamente. Talvez por causa do ambiente ainda um pouco escuro, com as cortinas do quarto ainda fechadas, ele inconscientemente baixou a voz.
- Sr. Borges.
Guilherme lhe lançou um olhar impaciente.
- O que está esperando? Vá logo examiná-la. - Comandou ele. - Quer que ela fique com febre alta e perca a cabeça?
- Claro, senhor.
Severino não ousou hesitar e imediatamente abriu a maleta para examinar Tatiana.
Sem precisar de instrumentos, ele já sabia que o estado dela não era bom. Mas, como um médico profissional, Severino usou um termômetro para medir a temperatura de Tatiana.
Trinta e nove graus. Se a febre não baixasse logo, ela poderia sofrer danos. Ele se perguntou desde quando a febre havia começado.
Observando o número no termômetro, Severino se lembrou das palavras de Tatiana na noite anterior, e seu coração bateu mais rápido. Especialmente quando a voz impaciente do homem atrás dele soou novamente:
- O que está esperando? Pode tratar? Se não puder, saia daqui!
Severino sentiu um sobressalto e guardou o termômetro. Ele se virou para Guilherme e disse:
- A situação da Srta. Taís é grave, precisamos levar ela para o hospital. Aqui, no máximo, posso administrar soro ou aplicar algo para reduzir a febre, mas se a temperatura não baixar...
- Entendi. - Interrompeu Guilherme, já se levantando da cadeira. - Vá se preparar. Vamos ao hospital em breve.
Sem hesitar, Severino concordou prontamente.
Severino não pôde esconder sua surpresa. Afinal, Tatiana havia sido trazida do hospital por eles, e agora, por uma febre, Guilherme estava disposto a levar ela de volta?
Quando Tatiana teve uma fratura nas costelas, mesmo em recuperação, ela não teve aquele tratamento.
Engolindo em seco, Severino lançou um olhar de soslaio para a mulher deitada na cama e sentiu um alívio silencioso em seu coração.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Capítulo 535… Diz que o livro está cheio concluído, mas não está...
Por favor, continuem esse livro!...