Eduardo nunca imaginaria que um dia estaria na mesma sala que Guilherme, e ainda por cima, sem nenhum conflito.
No quarto do hospital, Tati estava quieta, ninguém dizia uma palavra.
O homem de rosto sombrio estava sentado no sofá, seus olhos frios e sombrios voltados para a direção do quarto, observando Emanuel examinar o corpo adormecido de Tatiana.
Foi só quando Emanuel terminou e colocou a garota de volta na cama que o homem no sofá falou.
- Como ela está? – Perguntou Guilherme.
Emanuel levantou os olhos para olhar para Guilherme e esboçou um sorriso frio.
- Sr. Borges, considerando o que você fez, o que acha que minha irmã poderia estar passando? – Indagou Emanuel.
Os medicamentos tinham um componente sedativo, então não causariam nenhum mal ao corpo dela.
Só que Tatiana foi acordada à força no meio do sono e teve que confrontar alguém enquanto estava doente, era natural que não aguentasse.
Depois de dormir um pouco, ela acordaria e continuaria com os medicamentos para tratar a gastroenterite leve, e depois ficaria bem.
Mas ao lembrar do plano que Tatiana mencionara antes, de que viria procurar eles em dois dias, Emanuel não pôde deixar de sentir uma preocupação crescente e, consequentemente, suas palavras para Guilherme não foram muito educadas.
Esse tom sarcástico fez Guilherme achar um pouco engraçado.
Ele levantou um pouco as pálpebras, cruzou as pernas longas e se recostou no sofá.
- Veja só, irmão, eu só queria que Tati descansasse bem à noite, como poderia saber que você e Edu viriam visitar ela no meio da noite e a levariam embora? Agora, nessa situação, como pode ser algo que eu fiz? – Disse Guilherme em voz alta.
Quando se tratava de distorcer a verdade, ninguém conseguia superar ele.
Até Eduardo, normalmente franco e direto, estava cansado de discutir com Guilherme.
Ele estava irritado.
Por um lado, por causa do desmaio repentino de Tatiana, com sua condição física, como ela conseguiria escapar das mãos desse louco?
Por outro lado, por causa de Alex e Daniel, que estavam nas mãos de Guilherme e ainda não tinham sido vistos, sem que ninguém soubesse qual era a situação deles.
Não tinha cabeça para discutir com Guilherme.
Se provocasse mais aquele louco, quem sabia quais seriam as consequências.
A garota na cama não dormia tranquila.
Mesmo com os sedativos a mantendo adormecida, após passar por tanto sofrimento, era evidente que seu sono não era pacífico.
Parecia estar presa em um pesadelo, com os longos cílios tremendo levemente.
Quem sabe o que ela estaria sonhando de tão assustador, incapaz de acordar do pesadelo.
Emanuel não continuou a discutir com Guilherme.
- Sr. Borges, minha irmã não dorme bem, poderia sair e apagar a luz para que ela possa descansar? Quanto às outras questões, podemos discutir quando ela acordar, pode ser? – Sugeriu Emanuel, tranquilamente.
O tom de Emanuel fazia parecer que o hospital pertencia à família Orsi.
No mesmo instante, Guilherme sentiu um surto de irritação. Mas, ao mesmo tempo, a imagem daquela mulher se aninhando em seus braços para se esconder da luz e dormir veio à mente.
Embora contrariado, ele se levantou obedientemente do sofá. Só então ele pôde ver completamente a jovem deitada na cama do hospital, com o rosto pálido e extremamente fraco, semelhante à cena de mais cedo quando ele notou sua febre alta no quarto.
Ficava claro o quanto ela sofreu ao fugir.
Guilherme de repente parou de andar, aquela garota que ele cuidou tanto estava novamente inconsciente após sair, por que ele deveria sair?
Imediatamente, ele se firmou e deu a ordem para que saíssem.
- O hospital é meu, e tenho minhas roupas neste quarto. Eu acho que quem deve sair... – Hesitou Guilherme.


Mas era Emanuel. Muitas das inovações em cirurgias no país foram possíveis graças aos equipamentos desenvolvidos no laboratório dele.
Embora a pesquisa de equipamentos médicos talvez não estivesse diretamente ligada ao desenvolvimento de medicamentos, ninguém sabia se o Sr. Orsi havia estudado medicina de forma paralela.
Alguém que alcançou o topo em outra área provavelmente também se destacaria se se dedicando a outra disciplina.
Por isso, Guilherme não questionou. Pelo contrário, o leve aroma de ervas o deixou curioso para pedir mais a Emanuel.
Contudo, sabia que dificilmente alguém carregaria muitas dessas pomadas consigo.
Ele não respondeu, mas sua aceitação estava implícita.
Eduardo e Emanuel não permaneceram mais no quarto, saindo imediatamente.
No instante em que a porta do quarto do hospital se fechou, a voz de Guilherme ecoou por trás deles.
- Seus dois irmãos já foram levados para o hotel onde vocês estão hospedados. Fiquem tranquilos, Tati foi devolvida e eu não fiz nada a eles.
Guilherme sabia bem que certas ações seriam um ponto de ruptura irreversível.
Ele olhou para a garota adormecida na cama, e no momento em que a porta se fechou completamente, seu olhar se tornou sombrio.
Ferir alguém da família Orsi faria com que ela lutasse contra ele com todas as forças. Mas agora, seria possível que a relação deles voltasse a ser como antes?
Do lado de fora do quarto, os irmãos da família Orsi ouviram as palavras de Guilherme. Saber que Alex e Daniel haviam sido libertados foi surpreendente, mas não totalmente inesperado.

Emanuel manteve a expressão impassível.
- O que ele quer dizer, provavelmente só ele mesmo sabe. Mas basicamente, ele não quer causar mais problemas e quer manter minha irmã por perto. – Respondeu Emanuel.
Ele não significa nada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Capítulo 535… Diz que o livro está cheio concluído, mas não está...
Por favor, continuem esse livro!...