Eduardo ficou com o rosto imediatamente sombrio.
Antes mesmo que ele pudesse responder à mensagem, outra mensagem de voz chegou.
A voz preguiçosa parecia carregada com o frio da brisa noturna, selvagem e insolente.
- Eu sei que Tati ainda está dormindo, e sei da importância dela para todos vocês. Vamos fazer assim, não vou guardar rancor pelo que aconteceu esta noite, desde que você a leve de volta ao hospital em segurança. Seus dois irmãos, eu os devolverei a você intactos. – Disse o homem.
Desde que Tatiana aparecesse normalmente no quarto do hospital, Alex e Daniel seriam deixados em paz.
Ao ouvir isso, Eduardo se sentiu extremamente furioso.
- Por que eu deveria acreditar em você? – Rebateu Eduardo.
- Edu, você pode escolher não acreditar, mas não posso garantir em que estado seus dois irmãos serão devolvidos. – Respondeu Guilherme com um tom sorridente.
Ele fez uma pausa, e a terceira mensagem de voz chegou em seguida.
- Ah, e irmão, você tem tanta certeza de que conseguirá tirar Tati da Cidade CH? – Indagou Guilherme.
Uma ameaça velada, cheia de sarcasmo, calou completamente a raiva de Eduardo.
Ele queria xingar Guilherme por chamar ele de irmão, pois não tinham tal parentesco.
Mas a ameaça direta o fez engolir todas as palavras.
Sabendo que a ameaça havia surtido efeito, a próxima mensagem de voz soou ainda mais alegre.
- Minha paciência e tempo são limitados, então espero que você tome uma decisão rápida, irmão. Dentro de uma hora, quero ver ela no hospital, caso contrário, você sabe as consequências. - Ameaçou Guilherme.
Não houve mais mensagens depois disso.
Eduardo olhou para a tela do celular com raiva, seus dedos quase esmagavam o pequeno aparelho.
A luz da lua passava pelas árvores ao longo da estrada, caindo sobre sua mão, fazendo seus dedos parecerem ainda mais pálidos.
- Edu, o que vamos fazer? – Perguntou Emanuel.
Ir ao hospital era inevitável, mas a garota no carro, eles definitivamente não a entregariam.
Eles nunca tiveram escolha, havia apenas um caminho a seguir.
Eduardo não tinha tempo para continuar parado ali. Ao ouvir a voz fria de Emanuel, ele olhou para trás, assentiu levemente e entrou no carro.
- Será que deveríamos levar nossa irmã para um lugar seguro primeiro? - Sugeriu Emanuel, dirigindo.
Era evidente que o alvo deles era Tatiana. Se eles voltassem com ela, não seria como entregar a presa ao predador?
Mas que lugar poderia ser considerado seguro?
Eduardo nunca se arrependeu tanto como agora.
Se arrependeu de não ter vigiado Tatiana adequadamente na Cidade R, permitindo que ela caísse nas mãos daquele louco.
Se arrependeu ainda mais por ter voltado às pressas, despreparado, o que resultou nessa situação.
Ele subestimou Guilherme.
Presunçosamente, acreditou que alguém rejeitado pela família Borges seria um inútil. Após várias tentativas falhas de prejudicar sua irmã, Eduardo o considerou um jovem senhor destemido, mas sem estratégia.
Mal sabia ele que o herdeiro Borges era muito inteligente e não dependia apenas do apoio da família.
Não era de se admirar que eles estivessem planejando sair da Cidade CH para o exterior.
Eduardo sentia uma dor de cabeça.
Por um momento, ele realmente não sabia o que fazer.
- Edu, se não sabe o que fazer, por que não pergunta à nossa irmã? – Sugeriu Emanuel.
O carro acelerava pela estrada, levantando pequenas pedras que faziam um ruído agudo ao serem lançadas. A velocidade era claramente maior do que quando saíram do hospital.
Embora estivesse em alta velocidade, o carro permanecia estável, sem muitas sacudidas.


Por segurança, chegar antes do prazo era melhor.
Mesmo com a alta velocidade, a garota no banco de trás não se mexia.
Eduardo franziu a testa.
- Aquele louco deu muitos sedativos para nossa irmã? Isso não vai prejudicar a saúde dela?
Emanuel manteve sua expressão calma. Ele saiu do banco do motorista e tirou do bolso uma pomada verde-azulada, aplicando ela nas têmporas de Tatiana.
O cheiro da pomada lembrava o aroma suave de ervas medicinais que emanava de Emanuel.
Um toque de amargor, um toque de frescor.
Sem usar muito da pomada, Emanuel aplicou uma camada fina e então guardou o resto, ficando ao lado dela.

Se o sono continuar, provavelmente é devido ao mecanismo natural do corpo, que entra em um ciclo de sono prolongado, podendo ser interrompido com um leve despertar.
No caso de Tatiana, a situação parecia ser resultado do efeito dos medicamentos que ainda não tinham passado completamente.
Portanto, as preocupações de Eduardo eram exageradas, se a dosagem fosse excessiva, Tatiana provavelmente nunca mais acordaria.
Afinal, Guilherme não queria um corpo morto.
Eduardo não entendia muito de medicina, mas se tranquilizou após ouvir a explicação de Emanuel.
O carro estava impregnado com o suave aroma de ervas medicinais, mas isso não acalmou o coração de Eduardo.
Ele fixou o olhar no rosto de Tatiana e, após esperar um pouco, não pôde deixar de perguntar.
- Quanto tempo até nossa irmã acordar? – Indagou Eduardo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Capítulo 535… Diz que o livro está cheio concluído, mas não está...
Por favor, continuem esse livro!...