- Irmã! – Gritou Eduardo.
Antes que Tatiana se afastasse, a voz de Eduardo soou atrás dela.
Ele pegou o bilhete, guardando ele sem abrir, e saltou do carro para ir de encontro a ela.
Tatiana olhou para trás e viu Eduardo parado ao lado de Emanuel, com um semblante ligeiramente resignado.
- De qualquer forma, você deveria deixar o irmão te acompanhar. Por que está indo sozinha? Desta vez é diferente da última. – Disse Eduardo.
Ambos se lembraram da cena em frente ao hotel da última vez, e não puderam evitar sorrir.
Especialmente Tatiana, cujo sorriso ainda carregava um toque de alívio.
Isso tinha acontecido apenas dois dias atrás, então ela não tinha esquecido. Também se lembrava de como, na época, estava com medo de se arrepender, e nem ousou olhar para eles ao se despedir.
Ela temia que, se olhasse para trás, desejaria voltar para casa, colocando em risco a segurança de Alex e Eduardo.
Não olhar para trás também foi uma maneira de dizer a si mesma que estava sozinha desde o início, sem envolver outros.
Mas agora, mesmo sabendo que o caminho à frente seria tortuoso, a escolha de seguir em frente com eles proporcionava uma sensação diferente.
Afinal, a ideia de família não era tão distante da sua memória como pensava.
Na verdade, era exatamente como ela sempre imaginou.
Ela não pôde evitar um sorriso, enquanto dava cada passo em direção ao lugar que provavelmente se tornaria sua prisão, mas seus passos não estavam pesados.
Era como se estivesse dando um passeio depois do jantar, ou talvez até melhor.
Afinal, agora quem a acompanhava eram familiares com quem ela podia conversar sem se preocupar.
Ela não precisava pensar se suas palavras ou ações os irritariam, causando problemas para outros ou para si mesma. E não precisava se preocupar em como escapar de perto deles, vivendo cada dia como se estivesse pisando em ovos.
Tatiana até esperava que o caminho não acabasse tão rapidamente.
Mas toda estrada tem um fim.
Quando pararam em frente ao departamento de internação, Tatiana olhou para a luz fraca da entrada e, de repente, sentiu que estava diante de um monstro prestes a devorar ela.
Mas ela não tinha escolha, precisava entrar.
- Irmã, vamos embora. Nós pensaremos em um jeito de tirar Alê e Dani de lá outro dia. – Insistiu Eduardo.
Eduardo, seguindo seu instinto, falou sem pensar muito.
Mas bastava uma pequena reflexão para perceber que essa ideia era inviável. Eles poderiam tirar Alê e Dani outro dia, mas o que fariam com as cicatrizes que Guilherme havia deixado neles?
As cicatrizes que a marcavam como uma centopeia e que, se repetidas nos outros, os impediriam para sempre de seguir suas carreiras?
Tatiana se colocou no lugar deles.
“Se fosse uma bailarina e, por causa de um acidente, nunca mais pudesse dançar, seria como se o mundo desabasse.”
Ela não suportava a ideia de ver seus irmãos mutilados. Comparado a isso, pelo menos Guilherme não faria nada visível a ela. Pelo menos na aparência.
Ela estendeu a mão para Eduardo.
- Edu, me dá o celular. – Pediu Tatiana.
Eduardo não entendeu o porquê, mas obedeceu e entregou o aparelho a Tatiana.
A jovem salvou seu próprio número na lista de contatos.
- Esse é o celular que Guilherme me deu. Temo que ele possa ter algum tipo de monitoramento, então não ousei contatar vocês. Se necessário, tentarei entrar em contato com vocês. – Disse Tatiana.
A menos que fosse absolutamente necessário, ela não usaria dispositivos eletrônicos.
Mas sempre era uma possibilidade.
Às vezes, fugir era como correr por um campo em chamas, precisando escapar do incêndio ao redor.
Se fosse preciso, ela enfrentaria Guilherme de frente.
Depois de salvar o número, Tatiana abriu a conversa onde Guilherme havia enviado mensagens anteriormente.
Ela pressionou o botão de gravação e, com uma voz suave, começou a gravar.
- Estou aqui embaixo no hospital. Se estiver disponível, venha me buscar. – Disse Tatiana.
Embora fosse um sequestro, parecia mais que ela estava pedindo a um parente para buscar ela.
Eduardo, ao lado, não pôde deixar de mudar de expressão.



Sim, com que direito ela poderia negociar com ele?
Tatiana abaixou os olhos e soltou uma risada amarga, mas ao levantar o olhar, sua voz ainda estava firme.
- Então, quais são as condições agora? – Questionou Tatiana.
O subtexto era claro: o que ela precisaria fazer para que ele libertasse seus irmãos?
Guilherme, na verdade, não tinha a intenção de prolongar aquela situação. Desde o início, ele só queria trazer ela de volta. Caso contrário, não teria descido às pressas assim que ouviu a mensagem dela.
Mas, ao ver ela, ele percebeu que algo havia mudado. Pelo menos ele entendia claramente que o "esqueça o que aconteceu nos últimos dias e vamos recomeçar" era uma piada.
- Venha aqui. – Ordenou Guilherme.
A voz de comando era ainda mais fria, perfurando Tatiana como uma lâmina.
Sem escolha, ela teve que se aproximar. Igual ao que havia acontecido naquele dia.
Mas, sem ver Alex e Dani, ela ainda estava inquieta.
- Se eu me aproximar, você realmente os libertará? – Perguntou Tatiana, hesitante.
- Você tem o direito de negociar comigo? – Rebateu Guilherme.
A voz de Guilherme era mais cortante, como um vento frio.
Tatiana deixou escapar um sorriso de autodepreciação. Ela acenou com a cabeça, assentindo.
Com a voz fraca, ela finalmente deu um passo à frente.
Mas assim que deu o primeiro passo, seu corpo delicado desabou pesadamente no chão.
- Irmã! – Gritou Emanuel.
- Tati! – Gritou Eduardo.
Gritos de surpresa ecoaram ao redor.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Capítulo 535… Diz que o livro está cheio concluído, mas não está...
Por favor, continuem esse livro!...