Francisco Barros sempre teve um temperamento difícil, mas nunca havia demonstrado irritação com Glória Matos em público daquela maneira.
Glória Matos ficou ligeiramente atordoada, e um olhar de mágoa cruzou seus olhos, rapidamente disfarçado.
Oceana Amaral observou a jovem de expressão contrariada e depois o rosto fechado de Francisco Barros. Sentiu uma leve curiosidade sobre a relação entre os dois, mas optou por não perguntar.
— Desculpe, a Glória age como criança, é um pouco espaçosa demais.
Francisco Barros estava pedindo desculpas em nome de Glória Matos.
Oceana Amaral assentiu educadamente.
— Tudo bem, sem problemas.
Os três ficaram ali parados por mais um tempo, até que Oceana Amaral, não suportando mais aquela atmosfera estranha, decidiu sair primeiro.
O salão principal era enorme. Saindo dele, chegava-se à área da piscina e ao bosque de coqueiros. Comparado ao barulho e à agitação lá dentro, o lado de fora era muito mais silencioso, no silêncio, podia-se ouvir o canto dos pássaros e insetos vindos do bosque.
A Villa Pashifuri não ficava no litoral, então aqueles coqueiros certamente haviam sido trazidos de outra região a um custo altíssimo pelos proprietários.
A noite estava escura, com nuvens negras pesadas acima, mas abaixo estendia-se uma piscina de borda infinita azul-clara, com águas tremulando suavemente.
Oceana Amaral caminhou um pouco mais, procurando um lugar vazio para se sentar. Seus passos eram leves. Assim que se sentou, ouviu movimentos vindos de dentro do bosque de coqueiros atrás dela.
O som começou baixo, fragmentado, difícil de distinguir. Mas, depois de apurar os ouvidos por um momento, Oceana Amaral percebeu que o bosque escondia gemidos reprimidos de uma mulher e a respiração ofegante de um homem.
Ao perceber o que estava acontecendo ali, o rosto de Oceana Amaral corou. Ela estava prestes a sair de fininho quando, de repente, alguém gritou:— O que estão fazendo aí?!
Glória Matos, agarrada ao braço de Francisco Barros, olhava para a água azul-escura com um ar de regozijo e comentou:
— Francisco, quem será que caiu aí? Está tão frio hoje...
Fabiano Nunes ainda estava dentro do salão, conversando futilidades com o segundo filho do Grupo Capelo.
Ao ouvir que alguém caíra na piscina lá fora, ele não demonstrou o menor interesse, jamais imaginando que pudesse ser Oceana Amaral.
A borda da piscina já estava cheia de gente, mas ninguém pulava para salvar a pessoa. Era uma noite de inverno, com temperaturas negativas.
A água gélida arrastava Oceana Amaral para o fundo. Àquela altura, ela já não tinha forças para lutar, apenas mantinha os olhos abertos, desesperada e inconformada, sentindo seu corpo despencar lentamente.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!