Oceana Amaral estava sentada no consultório de Francisco Barros.
Ele estava de costas, regando as plantas perto da janela.
— Sua condição física atual não é nada otimista. Embora a doença não tenha piorado, vários indicadores dos exames estão fora do padrão. Minha recomendação é a internação o mais rápido possível.
Oceana Amaral ajeitou o lenço sobre os ombros e tossiu levemente.
— Qual é o prazo máximo para eu dar entrada na internação?
Francisco Barros virou-se, largando o regador.
— Não existe prazo máximo. Quanto antes, melhor.
Quanto antes, melhor. Oceana Amaral calculava mentalmente. Se quisesse sobreviver, teria que ouvir o médico e se internar logo para o tratamento. Mas ela ainda tinha um assunto importante pendente, então...
— Entendi. Obrigada, Doutor Barros. Vou pensar a respeito.
Pensar?
Ao ouvir essa palavra, Francisco Barros franziu a testa abruptamente. Seu olhar frio atravessou as lentes finas dos óculos e pousou no rosto de Oceana Amaral.
— Ainda precisa pensar? Sua doença não suporta mais as suas hesitações.
O tom dele foi excessivamente frio, fazendo Oceana Amaral sentir como se tivesse voltado ao dia em que chegou ao hospital e o conheceu.
Ela baixou os olhos, evitando encarar Francisco Barros. Sua expressão era muito calma.
— Sim, eu sei que é para o meu bem, Doutor Barros, mas tenho meus próprios planos.
Ele não sabia de nada.
Não sabia em que estado estava o casamento dela, não sabia o que ela estava sofrendo. Mas ele era apenas seu médico, não tinha obrigação de entender as trivialidades da vida dela.
— Oceana Amaral.
— No mês passado, saindo do plantão noturno, vi uma pessoa na rua. Era tarde da noite, onze ou doze horas. Fazia frio, e ela vestia apenas um pijama fino, estava descalça, caminhando sozinha pela avenida. Todos que passavam olhavam para ela, curiosos. Eu também...
Na metade do relato, Oceana Amaral percebeu do que se tratava. Seu rosto enrijeceu por um momento, mas logo voltou ao normal.
Quando Francisco Barros terminou de falar, sem emitir opinião, apenas relatando o fato, Oceana Amaral abriu um sorriso lento e olhou para ele:— Que coincidência. Pela descrição do Doutor Barros, sinto que essa pessoa tem noventa por cento de chance de ser eu.
— Sim, era você.
Francisco Barros sentou-se à frente dela, observando-a em silêncio com um olhar que misturava análise e crítica.
Ele não continuou, pois sua intenção era que Oceana Amaral contasse o resto da história, explicasse por que estava sozinha na rua de madrugada e por que vestia aquelas roupas.
Mas ele ficou em silêncio, e Oceana Amaral, sentada à sua frente, também abaixou a cabeça e escolheu o silêncio.
Muito tempo depois, a pessoa de cabeça baixa finalmente afastou os cabelos longos, ergueu o rosto e riu suavemente para Francisco Barros:— Doutor Barros, para ser sincera, sou uma pessoa bastante azarada, mas também com alguma sorte. Mais do que isso, não posso lhe dizer.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!