— Todas são filhas, Oceana é tão promissora, mas a minha Patrícia ainda é dois ou três meses mais velha que Oceana, e no final não tem nenhuma realização, agora só pode arrumar um emprego neste cantinho da cidade, mal conseguindo se sustentar, ah, são todas filhas, por que a diferença é tão grande!
Tia Bruna falava balançando a cabeça e suspirando, sem perceber nem um pouco o constrangimento e o desconforto que passaram pelo rosto da filha que estava atrás dela.
Na adolescência, Oceana Amaral sempre era comparada pelos mais velhos com a prima Patrícia Amaral.
Patrícia ia bem na escola e era bonita. Antigamente, se perguntassem quem era a moça mais bonita da cidade, todos apontariam para a filha mais velha do tio Henrique, a Patrícia Amaral.
Oceana Amaral olhou através das pessoas para a prima que era apenas três meses mais velha que ela.
Ela ainda mantinha os cabelos lisos e pretos da época do ensino médio, soltos sobre os ombros. Vestia um casaco bege de tecido que parecia barato e fino, combinado com sapatos pretos de salto baixo. Olhando com atenção, notava-se que usava uma maquiagem leve, mas devido ao tempo seco e à falta de cuidados com a pele, a base estava craquelada nos cantos dos olhos e da boca, dando-lhe uma aparência antiquada e desgastada.
Por causa das palavras que a Tia Bruna acabara de dizer, o rosto de Patrícia estava vermelho. Ela mantinha os olhos baixos, parada atrás da multidão, visivelmente sem jeito.
Ao revê-la onze anos depois, aquela prima que antes era o centro das atenções, cheia de vida, havia se transformado naquilo.
Oceana Amaral sentiu uma pontada de melancolia no coração.
Podia-se imaginar a fúria da Tia Bruna ao saber que sua filha estava se envolvendo com um rapaz pobre recém-chegado à cidade. Dizia-se que, no mesmo dia, ela correu até a costureira da Vovó Almeida na rua leste. Primeiro, soltou indiretas venenosas para a Vovó e, em seguida, xingou Fabiano Nunes de tudo quanto foi nome, avisando-o para não ter mais contato com Patrícia, saindo indignada logo depois.
Eram coisas de onze anos atrás. Oceana recordava-se, mas sem saber o que era fato ou exagero.
Nesse momento, enquanto os adultos conversavam fiado, Oceana Amaral desviou o olhar e, sem querer, notou que a prima, que antes estava de cabeça baixa, erguera o rosto discretamente.
Patrícia lançou um olhar complexo e saudoso na direção onde Fabiano Nunes estava e, logo em seguida, baixou a cabeça lentamente outra vez.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!