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Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou! romance Capítulo 151

Na Cidade Y, as ruas se entrelaçavam em um labirinto estreito, sob um céu recortado por um emaranhado de cabos elétricos.

O dia estava bonito, com um sol radiante. Na calçada, algumas mulheres de meia-idade, na casa dos trinta ou quarenta anos, sentavam-se do lado de fora, secando com toalhas os cabelos recém-lavados, que ainda pingavam.

A luz dourada do sol banhava a cena. Com a chegada do tempo mais frio, as mulheres da região evitavam lavar a cabeça à noite. Geralmente, esperavam um dia de sol forte, nessas tardes, deixavam tudo de lado e priorizavam a lavagem dos cabelos.

Ali estavam elas, acomodadas em banquinhos, enxugando as madeixas enquanto jogavam conversa fora.

No meio do falatório, um sedã preto entrou lentamente na entrada da cidade. A placa era desconhecida, claramente de fora.

O grupo interrompeu a fofoca instantaneamente, com os olhares fixos naquele veículo estranho.

— Ué, parente de quem será que chegou? Nunca vi esse carro nem essa placa por aqui.

— Isso é carro de luxo! Claro que você nunca viu! Da última vez que fui à cidade com o meu Fausto, quase batemos num carro branco igualzinho a esse. Tinha o mesmo símbolo, um círculo com um desenho dentro. O Fausto disse que custa uma fortuna, coisa de centenas de milhares!

— Nossa Senhora! Tão caro assim? Quero só ver quem é o parente rico que apareceu...

Sob os olhares curiosos das mulheres, o carro preto avançou mais alguns metros e finalmente parou em frente à Farmácia Amaral.

Marlon Amaral, usando seus óculos de leitura, estava sentado atrás do balcão, conferindo as contas no caderno. Sua família exercia a medicina há gerações e ele, não fugindo à tradição, herdou o ofício do pai. Há décadas, atendia na pequena cidade, aviado receitas e cuidando da saúde do povo.

Ao perceber pelo canto do olho que um carro preto estacionara em frente à sua farmácia, não lhe ocorreu que fosse sua filha.

Embora ela tivesse ligado avisando que chegaria hoje, ainda eram três da tarde. Marlon imaginava que, dada a distância de Oceana Amaral vindo da Cidade R, ela só chegaria alta madrugada. Por isso, a ideia de que ela já estava ali nem lhe passou pela cabeça.

O carro permaneceu parado por um instante. Logo, a porta traseira se abriu.

Vendo o pai desabar na cadeira, Oceana apressou o passo para dentro.

Recuperando-se do choque, Marlon apoiou-se no balcão e conseguiu ficar de pé novamente. Tirou os óculos de leitura, com os olhos já transbordando de lágrimas. Com o rosto banhado pelo choro, olhou para a filha que estava agora tão perto. Seu pomo de adão subiu e desceu várias vezes antes que ele conseguisse, com a voz embargada, espremer as palavras:

— Oceana, Oceana, você finalmente voltou!

— Pai, pai...

Oceana correu e abraçou o pai com força.

Ela enterrou o rosto no ombro dele, chorando baixinho. Foi só então que percebeu, com um aperto no peito, que aquela figura outrora mais alta que ela, sem que notasse, havia encolhido e agora era uma cabeça mais baixa.

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