O Assistente Matos acordou cedo naquele dia. Não correu para a empresa como de costume, mas mudou a rota e dirigiu em direção ao condomínio de vivendas na encosta da montanha, na zona sul da cidade.
Assim que ele chegou, Karina abriu a porta imediatamente. Após cumprimentar Karina brevemente, o Assistente Matos subiu ao segundo andar para procurar o patrão.
— Senhor Nunes.
Fabiano Nunes e Oceana Amaral estavam no corredor do segundo andar. Oceana Amaral conferia as malas que levaria de volta para a Cidade Y.
Na noite anterior, antes de dormir, ela falara com a mãe ao telefone.
Em tantos anos, ela nunca havia voltado para casa. A mãe ainda guardava mágoa por ela ter fugido com Fabiano Nunes no passado, então, ao longo desses anos, Oceana Amaral só ousava manter contato escondido com o pai.
Ao saber que ela voltaria, o pai ficou primeiro chocado ao telefone, e depois chorou de alegria. Quando soube que ela levaria muitas coisas, Marlon Amaral apenas recusou:— Não precisa trazer nada. Só de você voltar, já estou feliz o suficiente.
O pai dizia isso, mas Oceana Amaral achava que não podia deixar de preparar o que devia.
Ela não voltava há muitos anos. Desde que crescera, nunca havia cumprido seu dever filial. Na verdade, não é que nunca tivesse enviado coisas ou dinheiro para casa antes, mas sempre que enviava algo ou depositava dinheiro na conta da família, tudo era devolvido integralmente.
Quando ela foi embora com Fabiano Nunes, a Senhora Amaral lançou palavras duras, dizendo que se ela partisse naquele dia, nunca mais deveria voltar àquela casa, nunca mais deveria considerá-la sua mãe.
Oceana Amaral era jovem na época. Como os pais eram ocupados, ela crescera ao lado da avó. Mais tarde, com o nascimento do irmão mais novo, sua relação com os pais esfriou ainda mais. Ela sempre sentiu que os pais não a amavam, que amavam apenas o irmão. Por isso, quando a mãe disse aquelas palavras definitivas, ela se sentiu devastada, mas ao mesmo tempo recusou-se a baixar a cabeça. Assim, acabou optando por ir embora sem olhar para trás.
Quando partiu, apenas a avó foi escondida até a estação para se despedir.
Aquela senhora, que a acompanhara por dezesseis anos, tirou do bolso interno da roupa, com as mãos trêmulas, um saco de dinheiro embrulhado em plástico. Havia notas trocadas e inteiras, era todo o dinheiro que a avó economizara.
Embora dissesse que não era nada, Fabiano Nunes percebeu de imediato que ela estava apenas se fazendo de forte.
Ele olhou para a mulher ao seu lado, hesitou por um momento, mas acabou estendendo a mão e segurando a dela suavemente, dizendo com ternura:— Não tem problema, eu vou estar com você.
Ficar tanto tempo sem voltar para casa e, no momento de retornar, sentir um receio de chegar perto... talvez fosse isso.
Fabiano Nunes, embora não tivesse esse sentimento, conseguia entender Oceana Amaral, afinal, a Cidade Y era o lugar onde ela crescera.
Oceana Amaral estava triste e, dessa vez, não afastou a mão que Fabiano Nunes estendera para confortá-la. Mas, justo nesse momento, a bolsa em seu colo vibrou levemente e o toque do celular soou de dentro dela.
Oceana Amaral recolheu a mão rapidamente, tirou o celular da bolsa e, ao ver quem ligava, olhou primeiro para Fabiano Nunes à sua frente. Em seguida, largou a bolsa, levantou-se e caminhou para um canto afastado.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!