O coração de Fabiano Nunes, antes tomado pelo medo, acalmou-se gradualmente ao ouvir as palavras de Karina.
Ele pensou que não importava. Mesmo que Oceana Amaral estivesse decidida a se divorciar, enquanto houvesse o bebê na barriga, enquanto a criança existisse, eles nunca se separariam verdadeiramente. Estariam amarrados um ao outro para o resto da vida.
Ao pensar nisso, ele se endireitou e sorriu gentilmente para Karina.
— Obrigado, Karina. Daqui a pouco nós vamos viajar, então você também pode tirar uma folga e descansar em casa por um tempo. O salário será pago normalmente.
— Ah... ah, obrigada, Senhor Nunes.
Karina ficou um pouco confusa. O patrão, que descera do segundo andar com o rosto sombrio e abatido, mudara de expressão repentinamente após a resposta dela, como se fosse outra pessoa. Karina achou aquilo estranho, mas não soube dizer exatamente o que estava errado.
Na hora do jantar, Oceana Amaral abriu a porta do quarto e desceu as escadas.
Ao ver o homem sentado no sofá, um brilho de surpresa passou pelos olhos dela. Pensou que, depois da discussão de mais cedo, ele já teria ido embora, mas não esperava que...
— Está com fome?
Ouvindo o movimento, Fabiano Nunes largou o jornal que tinha nas mãos, levantou-se e sorriu para ela.
Sua expressão era natural, o sorriso gentil, como se o homem de rosto fechado que discutia a partilha de bens no quarto há pouco não fosse ele.
Estando com Fabiano Nunes há tantos anos, Oceana Amaral conhecia bem o temperamento dele.
Na frente dela, ele nunca fora alguém que escondesse as emoções. Pelo contrário, qualquer descontentamento ou infelicidade ficava estampado em seu rosto, e o gênio dele não era fácil.
Por isso, ao ver a mudança repentina de Fabiano Nunes, Oceana Amaral franziu levemente a testa, intrigada. Mas não disse nada, apenas assentiu e foi direto para a cozinha.
Karina estava preparando os pratos. Na panela de barro, fervia uma sopa, hoje era caldo de peixe branco com tofu.
Segurando a tigela, ela não resistiu e aproximou-a do nariz para sentir o aroma. Que cheiro bom. Pensando em servir mais uma concha, justamente ao lado, em outra panela, um ensopado de frango com cogumelos cozinhava em fogo baixo. A tampa da panela estava ligeiramente deslocada e Karina, ouvindo o barulho, largou a faca apressada para desligar o fogo. Ao se virar sem prestar atenção, seu braço esbarrou na mão de Oceana Amaral que segurava a concha...
— Ah!
O caldo fervente derramou todo da concha que ainda estava no ar. Um pouco do líquido caiu sobre a outra mão de Oceana Amaral, que segurava a tigela, e sobre a barra da calça.
— Senhora!
Vendo a cena, Karina, assustada, pegou rapidamente a tigela e a concha das mãos de Oceana Amaral, com o rosto cheio de tensão:— Queimou a senhora?
— O que aconteceu?
Fabiano Nunes, que estava lá fora e ouviu o barulho na cozinha, também entrou.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!