Ao entrar na sala de estar, Fabiano Nunes avistou imediatamente a mulher recostada na espreguiçadeira, banhada pela luz do sol.
Era o início da tarde.
Ela vestia apenas um cardigã bege de lã sobre um vestido branco com estampa floral. Seus cabelos longos e cacheados estavam trançados de forma frouxa, caindo sobre o ombro esquerdo, e ela segurava um livro nas mãos.
Com os olhos levemente fechados, os cílios longos e densos projetavam sombras delicadas sobre suas bochechas. O sol de inverno, suave e sem ofuscar, entrava por completo, pousando sobre ela como se a banhasse em ouro.
Fabiano Nunes parou seus passos, sentindo o coração falhar uma batida.
Talvez, com o passar do tempo juntos, as pessoas esqueçam a sensação da paixão inicial, mas felizmente o amor existe. Assim, mesmo que o corpo esqueça, o instinto do amor desperta repetidamente as memórias do começo.
Fabiano Nunes permaneceu parado, sem ousar se aproximar, apenas observando de longe.
Inexplicavelmente, sentiu uma vontade súbita de chorar. Diante de seus olhos, passavam flashs dos onze anos que estiveram juntos.
Comendo lanches baratos na rua, dormindo no porão e, nas noites frias de inverno na Cidade Y, abraçando-se para se aquecerem porque o cobertor não era grosso o suficiente.
Com a elevação gradual de seu status e posição, Fabiano Nunes havia esquecido muitos detalhes do passado. Mas, naquele momento, todas as memórias esquecidas foram recuperadas. Olhando para a mulher adormecida, a culpa e o arrependimento em seu coração atingiram o ápice.
— Senhor...
A primeira a notar a estranheza de Fabiano Nunes foi Karina.
Ela saiu da cozinha e chamou por ele várias vezes, mas ele continuava sem reação.
Karina tocou levemente em seu ombro. Quando Fabiano Nunes se virou, ela percebeu que o patrão, geralmente frio como gelo, estava com os olhos marejados, sem que ninguém soubesse desde quando.
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Francisco Barros terminou a ronda em todos os quartos e saiu. A garota continuava encostada na parede, chorando.
Ao meio-dia, o corredor estava movimentado. Muitas pessoas que passavam lançavam olhares curiosos em sua direção, mas ela parecia alheia a tudo, continuando a chorar em silêncio.
Francisco Barros levantou os olhos. Era ela.
— Entre.
Fátima Miranda entrou segurando os relatórios de exames recentes de seu pai.
Seus olhos ainda estavam muito vermelhos, mas ela já não derramava lágrimas.
Francisco Barros olhou para ela, não disse nada e pegou os relatórios que ela lhe estendeu.
— Pelo que vejo, parece ser um sintoma decorrente de uma infecção pós-cirúrgica. A recomendação é iniciar um tratamento anti-infeccioso e repetir o hemograma em uma ou duas semanas após a medicação para verificar se os leucócitos voltaram ao normal. O problema não é muito grave, não precisa se preocupar.
Ao ouvir isso, Fátima Miranda, que mantinha a cabeça baixa, assentiu levemente.
Seu pensamento ainda estava em Fabiano Nunes, por isso, ao ouvir que a situação do pai não era grave, não demonstrou grande reação.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!