— Não me venha falar dela. — Fabiano Nunes estava sentado à sua mesa de escritório, massageando a ponte do nariz, com um tom de voz gélido.
Era a primeira vez que Leandro via o amigo tão irritado. O que era para ser apenas uma provocação para descontrair, de repente, tornou-se interessante.
— Ora, ora, Fabiano! Que temperamento é esse?
Leandro levantou-se e caminhou até a mesa:
— Da última vez, na varanda da sua casa, quem foi que me disse, todo sofrido, que a Oceana Amaral queria o divórcio? E agora, com essa atitude e esse tom, não tem medo de que ela realmente leve isso adiante?
Ao ouvir menção ao assunto, Fabiano Nunes sentiu a raiva borbulhar dentro de si.
— Pare de me amolar. Se está com tanto tempo livre, aproveite que o RH me enviou ontem a lista de avaliação trimestral dos funcionários. Dê uma olhada e organize a lista de cortes. Quero isso na minha mesa amanhã cedo.
Fabiano sentia uma pontada de arrependimento. Não deveria ter comentado nada com Leandro na última vez. Com a boca grande que o amigo tinha, se ele descobrisse que Oceana Amaral já havia assinado o pedido de divórcio, não demoraria muito para que todo o círculo social deles ficasse sabendo.
Leandro recuou alguns passos e sentou-se novamente no sofá:
— Não venha jogar esse trabalho ingrato para cima de mim. Eu já tenho coisas demais para resolver. Não tente me dar ordens!
Fabiano não respondeu. Abriu a lista enviada pelo RH no dia anterior e passou os olhos rapidamente.
Ao chegar ao segundo nome da segunda página, ele fez uma pausa e franziu a testa.
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Oceana Amaral sentia que seu corpo estava cada vez mais estranho nos últimos dias. Embora Francisco Barros tivesse dito que seus exames mostravam melhoras em todos os aspectos, ela sentia uma sonolência e fadiga constantes, além de enjoos ocasionais.
Ao chegar do hospital, encontrou Karina preparando um caldo de peixe. Assim que a viu entrar, a governanta serviu uma tigela e levou até ela.
O caldo, de um branco leitoso, tinha um aroma fresco e delicioso, sem qualquer cheiro forte de peixe, apenas um leve toque adocicado e cremoso.
No entanto, assim que Oceana levou a colher à boca e tomou o primeiro gole, seu estômago revirou violentamente, como se enfrentasse uma tempestade em alto mar. Ela levantou-se num salto e correu para o banheiro, debruçando-se sobre o vaso sanitário em meio a ânsias de vômito.
Com o coração batendo forte, misturando medo e ansiedade, Oceana entrou no banheiro. Seguiu todas as instruções da embalagem e, enquanto esperava, uma ponta de esperança ainda residia em seu peito.
Ela pensou: Não é possível que eu tenha tanta má sorte, certo?
Eles sempre tomavam precauções. Foi apenas uma vez que ela esqueceu o remédio. Seria possível ter engravidado?
Não, ninguém seria tão azarado a esse ponto.
Oceana tentava se consolar, mas quando o tempo de espera acabou e ela pegou o teste para verificar o resultado...
Bum!
Foi como se um raio caísse em um dia de céu claro. Aos vinte e sete anos, Oceana finalmente entendeu o que era sentir o chão desaparecer sob seus pés.
No pequeno bastão de plástico, duas linhas vermelhas eram claramente visíveis.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!