Acostumado com as atitudes por vezes enigmáticas de Oceana Amaral, Fabiano Nunes não fez mais perguntas e seguiu na direção que ela indicava.
— Você quase não comeu no café da manhã. Tem um pacote de snacks de carne seca no porta-luvas, se sentir fome, pode comer no carro.
Disse Fabiano, segurando o volante e mantendo os olhos na estrada.
Assim que ele terminou de falar, Oceana virou a cabeça e olhou para ele com uma expressão estranha.
Percebendo pelo canto do olho que ela o observava, Fabiano virou-se brevemente:— O que foi?
Mas assim que ele se virou, Oceana desviou o olhar rapidamente, voltando a encarar a janela.
— Não estou com fome. Sem apetite.
Além de não gostar de comer na cama, Fabiano também detestava que comessem em seu carro. Ter alimentos com cheiro forte num espaço fechado e pequeno lhe causava um desconforto tanto psicológico quanto físico, devido à sua obsessão por limpeza.
Então, por que essa mudança repentina?
A imagem daquela garota de aparência inocente que encontraram no shopping passou pela mente de Oceana. Seria por causa dela?
Oceana repuxou os lábios num sorriso sarcástico.
Pouco antes de chegarem ao destino, pararam num sinal vermelho. De repente, Oceana abriu a bolsa, tirou um maço de papéis e estendeu para Fabiano Nunes.
Ele pegou instintivamente. Ao bater os olhos no documento, franziu a testa.
Era o comprovante de agendamento do divórcio no cartório, com os nomes completos de ambos.
Após um momento de silêncio, Fabiano perguntou:
— O que significa isso?
No fundo, ele sabia exatamente o que Oceana pretendia, mas seu interior se recusava a admitir.
Fabiano continuou dirigindo. Talvez fosse pelo cansaço da explosão da noite anterior ou pela falta de sono, mas ele se sentia exausto. Disse apenas, num tom neutro:
— Pare com isso. Tenho uma reunião esta manhã. Se você tem alguma insatisfação, conversamos quando voltarmos para casa.
Oceana franziu a testa ao ouvir aquilo, soltando uma risada de escárnio e total descrença.
— Do que você está falando? Quem está de brincadeira aqui?
Fabiano girou o volante bruscamente, encostando o carro numa vaga temporária à beira da estrada.
— Oceana, eu realmente não tenho tempo para as suas birras. Vou te levar para casa agora. Seja obediente, por favor.
Fabiano massageou as têmporas, sentindo uma exaustão extrema que ia da alma ao corpo.
— Tudo bem. Primeiro assine os papéis comigo, depois eu serei obediente.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!