Fabiano Nunes segurava a travessa de frutas, sentado ao lado dela, com os olhos fixos na televisão, parecendo não notar o pequeno desconforto dela.
Oceana Amaral pensou por um momento e acabou engolindo a maçã. No entanto, quando Fabiano Nunes espetou um pedaço de manga e ofereceu, ela balançou a cabeça:— Não quero.
Ouvindo que ela não queria manga, Fabiano Nunes trocou novamente pela maçã que acabara de lhe dar.
Oceana Amaral balançou a cabeça mais uma vez e, em seguida, abraçando a almofada, arrastou o corpo para o lado, afastando-se dele no sofá.
Se antes ela não quis comer a manga simplesmente por não querer, agora, rejeitar a maçã e se afastar significava deliberadamente querer distância dele.
A mão de Fabiano Nunes parou no ar. Aquela sensação de mágoa e sufocamento voltou a subir em seu peito.
No entanto, ele não explodiu. Apenas colocou suavemente a travessa de frutas, que segurava no colo, de volta na mesa de centro.
O casal ficou ali sentado, separado por uma distância onde caberiam umas três ou cinco pessoas, assistindo à televisão.
Com Fabiano Nunes ao lado, assistir à TV tornou-se desconfortável de qualquer maneira.
Fabiano Nunes provavelmente percebeu isso. Não demorou muito para se levantar e ir para o escritório no segundo andar.
Assim que ele saiu, Oceana Amaral soltou um suspiro de alívio, voltou à sua postura relaxada anterior, pegou o controle remoto e rebobinou o trecho que estava assistindo.
Depois de terminar um episódio, o sono de Oceana Amaral chegou. O quarto de hóspedes no segundo andar não tinha banheiro. Pensando que Fabiano Nunes ainda estava no escritório e não sairia tão cedo, Oceana Amaral pegou seus itens de higiene e foi para a suíte principal.
Tomou um banho quente e relaxante. Ao sair, já vestida com o pijama, ficou atônita ao ver na cama a pessoa que "não sairia tão cedo".
Fabiano Nunes tinha o hábito de ler antes de dormir.
Ele usava óculos de grau baixo com armação dourada fina, vestia um pijama de seda cinza e estava recostado na cabeceira da cama. Ao seu lado, um abajur estava aceso, e ele segurava um grosso livro de finanças, virando uma página naquele exato momento.
Vendo Oceana Amaral com um monte de coisas nos braços pronta para sair do quarto e ir para o de hóspedes, Fabiano Nunes finalmente não conseguiu conter a expressão sombria.
Já que ele havia descoberto, Oceana Amaral não tentou mais esconder. Girou a maçaneta para sair.
*Baque!*
A porta que ela acabara de abrir foi empurrada por uma mão que surgiu atrás dela e fechada com força.
No silêncio da noite, o som alto da porta batendo ecoou pela mansão vazia de dois andares.
Oceana Amaral virou-se e olhou para cima, encarando a pessoa atrás dela, mas não disse nada.
— O que você quer, afinal?! Não estava tudo bem na hora do jantar? O que você está querendo inventar agora no meio da noite? O que mais eu tenho que fazer? Tenho que ficar te agradando, rastejando atrás de você? Oceana Amaral, você já é adulta. Será que não pode deixar de ser tão infantil e parar de agir por impulso? Eu tenho muito trabalho todo dia, uma pilha de coisas na empresa, e quando volto para casa ainda tenho que lidar com a sua cara feia. Será que você não pode ter um pouco de consideração por mim?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!