Em uma ocasião importante como a de ontem, se fosse um relacionamento legítimo entre marido e mulher ou namorados, não haveria necessidade de correr riscos em uma aventura furtiva no meio do coqueiral.
Por isso, ao ouvir o relato de Oceana Amaral, Fabiano Nunes adivinhou imediatamente o que estava acontecendo no fundo de seu coração.
Quando os dois chegaram em casa, Oceana Amaral foi para o quarto e trancou a porta.
Fabiano Nunes, que subiu logo em seguida, foi até a porta do quarto e percebeu que estava trancada por dentro. Ele forçou levemente a maçaneta, mas não abriu. Lembrando-se de que ela ainda estava doente, decidiu não insistir.
Deixou apenas uma frase:— Oceana, se você não precisa da minha companhia, vou voltar para a empresa.
O final do ano se aproximava e havia uma pilha de assuntos na empresa esperando por sua atenção.
Sem obter resposta lá de dentro, Fabiano Nunes permaneceu em silêncio por um instante e optou por se virar e partir.
O som do motor do carro ecoou da garagem subterrânea. Ao ouvir o ruído, Oceana Amaral caminhou até a janela, afastou a cortina branca e, somente quando viu com seus próprios olhos o Bentley preto de Fabiano Nunes sair da garagem, soltou o tecido. Voltou para o quarto e sentou-se por mais um tempo.
Não se sabe o que lhe passou pela cabeça, mas Oceana Amaral abriu o guarda-roupa, arrumou suas coisas por um longo tempo e transferiu todos os seus pertences para o quarto de hóspedes ao lado. Só então trocou de roupa e saiu.
Quando chegou ao hospital, eram duas da tarde, horário de expediente.
Ao vê-la, o rosto de Francisco Barros exibiu, raramente, uma expressão de culpa.
Oceana Amaral aproximou-se, colocou a bolsa na mesa dele e sentou-se.
— Doutor Barros, tive febre ontem à noite e não consegui tomar o remédio especial que você receitou. Isso terá algum impacto?
O cabelo na lateral do rosto caiu, atrapalhando um pouco, e Oceana Amaral levantou a mão para jogá-lo todo para trás.
Francisco Barros a observava.
O rosto dela estava cada dia mais pálido, emanando uma fraqueza mórbida de dentro para fora.
— Sobre ontem à noite, sinto muito. Eu estive na beira da piscina o tempo todo, mas não reconheci que era você quem estava na água.
Era a verdade.
Francisco Barros tinha sido arrastado para a piscina por Glória Matos. De onde estava, na borda, e devido à profundidade da água, ele realmente não reconheceu de imediato que a pessoa que caíra era Oceana Amaral. Se soubesse que era ela, certamente teria...
— Eu sei, não precisa se desculpar.
Oceana Amaral curvou os olhos, fingindo um sorriso, mas não havia qualquer vestígio de alegria em seu olhar.
— Doutor Barros, você só está se desculpando por não ter reconhecido que era eu na água e, consequentemente, não ter me salvado a tempo. Mas eu quero dizer uma coisa — Oceana Amaral fez um bico de resignação. — Na verdade, você não precisa se desculpar. Mesmo que tivesse me reconhecido, não precisaria se desculpar por não me salvar, porque nossa relação é apenas de médico e paciente. Nossa amizade não vale o risco de você entrar na água por mim.
Francisco Barros era um egoísta refinado, foi assim que ele foi educado desde a infância.
Se a pessoa que caiu na água ontem fosse um estranho, Francisco Barros não pediria desculpas por não ter salvado. A essência era que ele não era o tipo de bom samaritano que gostava de ajudar os outros, então não havia necessidade de sentir culpa por não ter estendido a mão a ela.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a contagem regressiva da vida, Senhora Nunes acordou!