Uma brisa suave soprou, soltando uma mecha de cabelo que deslizou pela lateral do rosto dela. Alana levantou a mão delicadamente e prendeu-a atrás da orelha.
— Alana! — Talita Barbosa parou o carro bem à sua frente.
Assim que entrou, as duas se abraçaram forte. Talita reclamou, com o tom meio brincalhão, meio magoado:
— Sua ingrata, sumiu por três anos. Além daquela última ligação, nem uma mensagem, sabia o quanto fiquei preocupada?
Mesmo sem o Lucca Farias, será que ela não percebe que eu estou aqui para ela?
Talita não disse isso em voz alta. Evitava mencionar Lucca Farias diante dela.
Afinal, Alana partiu por causa dele. Só de lembrar o que Lucca fez naquela época, já dava para imaginar o quanto ela se magoou, ao ponto de cortar todas as relações com Cidade F.
— Me perdoa, vai. Prometo que não faço mais isso. Para mostrar como sinto muito, trouxe um presente pra você. Tenho certeza que vai adorar. — Alana Lacerda falou com uma suavidade encantadora, típica de quem domina as palavras, sua voz doce e melodiosa amolecendo qualquer coração.
Talita Barbosa não foi exceção.
— Tá bom, tá bom, já te perdoei. Mas desta vez não vai embora de novo, né?
O medo de que ela partisse outra vez, por causa de Lucca Farias, era evidente.
— Não vou mais. — Alana balançou a cabeça, sua voz firme e decidida.
Talita ficou visivelmente feliz e as duas se abraçaram de novo, cheias de entusiasmo, como irmãs que se reencontram depois de muito tempo.
No caminho, Talita olhava discretamente para Alana e notou que ela parecia diferente.
Antes, Alana era delicada, com um jeito de menina ingênua. Agora, parecia ter superado muitas coisas, havia um misto de ternura e firmeza em seu olhar.
— Claro que lembro — respondeu Talita, fechando o cardápio com alegria.
— Depois do jantar, que tal fazermos algo divertido? Meu irmão abriu um bar novo, podemos passar lá para prestigiar. — Talita queria aproveitar ao máximo o reencontro, além de proporcionar um momento de descontração para a amiga.
O irmão de Talita, Daniel Barbosa, era seu irmão de sangue, além de grande amigo de Lucca Farias.
— Ótima ideia. — Alana assentiu, interrompendo o movimento de levar o copo d’água aos lábios, aceitando com naturalidade. De todo modo, sabia que mais cedo ou mais tarde teria que encarar todos do passado.
Depois de três anos, ela já não era mais aquela garota que se deixava levar pelas emoções. Agora, sabia muito bem como esconder o que sentia.
Após o jantar, Talita levou Alana ao Bar Brisa, que ficava a poucos quarteirões do restaurante.
Assim que entraram, foram envolvidas pelo barulho contagiante do local. As luzes piscavam intensamente e pessoas de todos os lados se divertiam na pista de dança, entregues à alegria da noite.

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