Patrícia Nunes observava Lucca Farias com uma expressão de total desprezo, sentindo a raiva crescer em seu peito.
No fundo, ela sabia que nunca deveria ter concordado com aquele casamento. Só aceitou porque Alana também gostava dele, e achou que assim estaria ajudando a filha.
No fim das contas, só acabou machucando Alana.
Lucca Farias permaneceu em silêncio.
— Pelo que vejo, você não está à altura da Alana. Vou apresentar alguém melhor pra ela — disse Patrícia Nunes, achando que tinha cometido uma injustiça ao juntar os dois.
Além do mais, tinha medo de não conseguir cuidar direito da menina e decepcionar a amiga que já se fora. Decidiu que precisava encontrar um rapaz realmente digno para Alana.
— Se não tiver gente suficiente, também posso ajudar a apresentar — respondeu Lucca Farias, com o mesmo tom desinteressado, sem dar a mínima.
Se ela tivesse ouvido isso três anos antes, seu coração certamente teria se despedaçado.
Mas agora, Alana Lacerda simplesmente se virou e saiu dali, sem se importar com o que os dois ainda estavam dizendo.
Deitada na cama, ouviu o som do motor de um carro. Sabia que era o carro de Lucca Farias.
Durante anos, ela só conseguia dormir depois de ouvir aquele motor chegando.
No meio da noite, sentindo sede, levantou-se e foi até a cozinha beber água.
A luz da lua entrava pela janela, deixando tudo claro o suficiente para dispensar a luz elétrica.
Para não fazer barulho, desceu as escadas com cuidado, serviu-se de um copo de água e encostou-se na mesa.
Bebia calmamente, com a cabeça longe, sem perceber que havia outra pessoa na sala.
Lucca Farias estava sentado no sofá, observando-a de pijama, andando de mansinho. Um leve sorriso surgiu em seu rosto.
Alana Lacerda terminou de beber, e quando se virou para subir as escadas, viu alguém no sofá.
Quase soltou um grito, mas tapou a boca com a mão a tempo.
Com um clique, Lucca Farias acendeu a luz.
— Por que desceu sem acender a luz? — perguntou ele, interrompendo-se ao reparar nela.
De volta à cama, Alana tentou controlar o coração acelerado; diante dele, seu corpo reagia instintivamente, ficando tenso.
Três anos antes, obrigada por Renata Farias, Lucca Farias e ela se casaram.
Na época, ela ficou muito feliz, mas as palavras de Lucca naquela primeira noite destruíram todas as suas ilusões.
Mesmo assim, ela continuou acreditando, ingenuamente, que se se esforçasse, ele acabaria enxergando-a.
Achava que o amor nascia da dedicação e do tempo.
Até que, pouco depois da morte de Renata Farias, ele determinou que o Grupo Farias divulgasse um comunicado: o casamento não teria validade.
Isso foi apenas três meses após a cerimônia.
Só então ela entendeu: como o próprio Lucca dissera, ele nunca poderia amá-la, porque ela nunca foi o tipo de mulher que ele desejava.
Talvez, tudo o que ela fez tenha sido apenas motivo de riso para ele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor em Silêncio: A Segunda Chance de Alana e Lucca