— Alana Lacerda, agora você está satisfeita? Conseguiu se tornar a esposa do herdeiro da família Farias, mas vou te avisar, não gosto de mulheres como você. Mesmo casando comigo, nunca vou gostar de você!
Lucca Farias estava deitado na cama, observando a mulher que entrava no quarto. Seu olhar carregava ironia, e suas palavras eram frias, sem o menor traço de piedade.
Alana Lacerda vestia um pijama vermelho, o rosto ainda iluminado por uma felicidade tímida, que logo se transformou em constrangimento diante das palavras dele.
Ela tentou dizer algo, abrindo e fechando a boca algumas vezes, mas acabou desistindo e, sem uma palavra, pegou o cobertor e foi se acomodar no sofá, onde passou a noite.
Certa vez, Alana Lacerda ficou parada do lado de fora do escritório, escutando a discussão que acontecia lá dentro. De vez em quando, conseguia ouvir a voz dele:
— Eu não gosto dela, não vou me casar com ela!
...
Alana Lacerda acordou de repente, assustada, respirando com dificuldade até conseguir se acalmar.
O dia já começava a clarear, a luz invadia o quarto pela janela. Ela olhou para o relógio ao lado da cama: eram apenas cinco e meia da manhã.
Deitou-se novamente, sem entender por que voltara a ter aquele sonho. Será que era por causa das lembranças recentes de Cidade F?
As imagens do sonho pareciam persegui-la, como se fossem um pesadelo recorrente. Por mais que tentasse, o desconforto ainda persistia em seu peito.
Na manhã seguinte, Alana Lacerda pegou sua mala e se despediu da proprietária do apartamento, partindo em direção ao lar.
O avião pousou no aeroporto de Cidade F. Alana Lacerda seguiu o fluxo de pessoas e saiu para o lado de fora.
O verão em Cidade F era sufocante. Bastou alguns minutos ao ar livre para que uma fina camada de suor se formasse em sua testa.
Ela observou a paisagem, ainda um tanto familiar, e sentiu o coração bater mais forte. Cidade F não havia mudado muito desde a última vez que esteve ali.
Com uma mão, ela tirou um lenço de papel para enxugar o suor e, com a outra, atendeu ao telefone que tocava em sua bolsa.
— Sim... vou almoçar com ela e depois volto para casa — respondeu. Antes de ir para o exterior, Alana morava justamente com a família Farias, então agora também voltaria para lá.
Na época, a família Lacerda enfrentou uma crise financeira e foi declarada falida. O pai de Alana, incapaz de suportar o golpe, tirou a própria vida. A mãe, arrasada, faleceu poucos meses depois.
Patrícia Nunes, que fora melhor amiga da mãe de Alana, ajudou a organizar tudo e, em seguida, acolheu a jovem, que tinha pouco mais de dez anos, na família Farias.
Felizmente, o pai de Alana deixara vários imóveis em seu nome. Quando venderam a antiga casa da família Lacerda e algumas lojas, foi possível quitar todas as dívidas, e os imóveis de Alana não foram afetados.
Ao completar dezoito anos, o advogado responsável entregou a documentação dos imóveis a ela.
Assim, mesmo que não precisasse trabalhar, Alana Lacerda poderia viver confortavelmente apenas com a renda dos aluguéis.
Talita Barbosa chegou de carro à porta do aeroporto e logo reconheceu Alana.
Ela usava um vestido branco, os cabelos trançados de forma despojada e jogados sobre um dos ombros, o olhar fixo à sua frente.

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