Ainda bem que nenhuma foto do casamento se espalhou, caso contrário, ela seria uma celebridade em Cidade F.
Percebendo que novamente se deixou levar pelas lembranças, Alana Lacerda forçou-se a dormir.
Talvez por estar de volta a um lugar tão familiar, ela voltou a sonhar. E, nos sonhos, revivia cenas igualmente conhecidas.
Na manhã seguinte, ao acordar e perceber que estava em seu quarto de sempre, virou-se na cama e suspirou.
Ao descer, encontrou Patrícia Nunes já de pé, sentada à mesa tomando café da manhã. Lucca Farias estava ao lado dela.
— Bom dia, tia Patrícia. Bom dia, Lucca — cumprimentou ela, com naturalidade.
— Bom dia, dormiu bem? — Patrícia Nunes acenou com delicadeza.
— Dormi sim — respondeu Alana Lacerda, sentando-se.
— O que aconteceu com o seu pescoço? — Patrícia Nunes percebeu uma vermelhidão sutil, salpicada de pequenas erupções, no pescoço da jovem.
Na noite anterior, devido à gola da roupa, aquilo passara despercebido.
Ao ouvir o comentário de Patrícia Nunes, Lucca Farias também ergueu o olhar em direção ao pescoço dela. Mesmo de longe, distinguiu marcas avermelhadas destacando-se na pele iluminada.
Instintivamente, Alana Lacerda levou a mão ao pescoço e só então se lembrou:
— Isso foi antes de voltar ao país, tia. Não sei ao certo o que encostou em mim, mas tive uma reação alérgica. Já estou passando um creme.
Fez um gesto para que ela não se preocupasse.
— Não pode ser assim. Lucca, leve a Alana para um exame — determinou Patrícia Nunes, em tom firme.
— Não precisa, tia Patrícia... — Alana Lacerda lançou um olhar para Lucca Farias, que mantinha a expressão impassível, certa de que ele não faria questão alguma — Eu mesma posso ir, não quero incomodar o Lucca.
— Não é como se não soubesse o caminho. Pode procurar o Nicolas Soares sozinha — respondeu Lucca Farias, com voz neutra, deixando claro que não queria se envolver com os problemas de Alana.
Patrícia Nunes observou os dois, suspirou silenciosamente e um clima de silêncio pairou sobre a mesa.
Além disso, o condomínio era afastado do centro, o que dificultaria quando começasse a trabalhar.
— Não se preocupe, vou sempre vir te visitar — garantiu, apertando a mão da tia, num gesto carinhoso.
— Então deixa que eu ajudo a procurar um apartamento — propôs Patrícia Nunes, compreendendo a decisão dela.
— Não precisa, tia Patrícia. Meu pai comprou vários imóveis para mim na época, posso escolher um deles para morar — Alana não queria causar mais incômodo.
— Então fique mais uns dias em casa comigo antes de se mudar, tudo bem? — pediu Patrícia Nunes, com os olhos marejados, cheia de expectativa.
— Está bem — respondeu Alana, com a garganta apertada, incapaz de recusar.
Depois do café da manhã, Lucca Farias saiu de carro rumo à empresa, enquanto Alana Lacerda voltou ao quarto para arrumar suas coisas.
Na noite anterior, ela não havia retirado tudo das malas, por isso não teria muito trabalho para organizar.

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