—Alana, vamos colher morangos.
Patrícia Nunes apareceu com outra roupa, segurando um cesto na mão. Colocou um chapéu na cabeça de Alana Lacerda.
—Tem plantação de morango por aqui? —Alana ajeitou o chapéu.
—Lá atrás da casa, na outra chácara. O Lucca comprou aquele terreno faz uns dois anos, aí resolvi plantar morangos lá —disse Patrícia, sorrindo. Enquanto no jardim da casa floresciam, naquele outro espaço os morangos cresciam bem.
O terreno em frente à casa era enorme, todo tomado por pés de morango. Alana e Patrícia se separaram para colher.
Com o chapéu, Alana tinha a visão limitada, então seu olhar se fixava apenas nos morangos à sua frente. Ela se concentrou em colher.
Agachada, admirou um morango maduro, limpou-o na camisa e colocou diretamente na boca.
O sabor era doce, seus olhos brilharam na hora. Colheu mais um e comeu, incapaz de parar.
Enquanto se deliciava, ouviu uma voz:
—Você está colhendo ou comendo os morangos?
A fala tinha um tom de brincadeira.
Com a boca cheia, Alana levantou a cabeça no reflexo, ainda meio surpresa.
Viu Lucca Farias parado à sua frente, olhando para ela e sorrindo de forma divertida.
Quando chegou, viu Alana agachada, comendo morango atrás de morango, parecendo um coelhinho furtivo.
—Tô colhendo e comendo ao mesmo tempo —ela mostrou o cesto, nada constrangida por ter sido pega no flagra.
Vendo Patrícia do outro lado, Alana não quis ficar sozinha com Lucca e se levantou rapidamente para ir até a tia.
Mas ficou tempo demais agachada. Ao levantar, tudo escureceu por um instante e ela cambaleou.
Lucca percebeu e, por instinto, estendeu a mão para ampará-la.
Alana se firmou, a visão voltou ao normal. Notou a mão dele segurando seu braço e, desconfortável, logo se soltou.
—Obrigada.
Patrícia a observou por alguns instantes, analisando suas expressões.
—Alana, você ainda gosta...
—Não gosto mais —Alana adivinhou o que ela diria e cortou logo.
Seu olhar era calmo, não havia mais aquele constrangimento do passado.
Lucca descia as escadas nesse momento, ouviu a frase, parou de ajustar a gravata e ergueu uma sobrancelha.
No entanto, aquilo não o incomodou. O sentimento dela para ele não tinha importância, por vezes até o incomodava.
Para Lucca, Alana era apenas a esposa que a família arranjara para ele, e ele nunca gostou de imposições, na verdade, tinha aversão a isso.
Quando percebeu que o assunto não era mais sobre ele, Lucca terminou de descer.
—A Alana acabou de fazer biscoitos. Quer provar? —chamou Patrícia.

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