Luana murmurou, mal conseguindo articular as palavras.
— Ontem o meu irmão... foi pra casa e disse que o papai já tinha sido detido, e que a gente só ia poder ver ele depois do julgamento.
Júlia notou que ela falava de forma desconexa e sentiu-se preocupada.
— Você está com o Lucas?
— Não... Não estou.
Em contraste com a música de fundo, a voz de Luana saía fraquinha, quase como o miado de um filhote de gato.
Júlia não conseguia evitar a preocupação.
— Júlia, eu precisava te pedir desculpas.
— Eu nunca achei que o papai atacaria a Dora, tão pequenininha.
Júlia compreendia.
Afinal, Arthur Franco era o pai de Luana e Lucas.
Até mesmo no relacionamento conturbado de Júlia com Alberto Guedes, vê-lo ir para a prisão provocou emoções conflitantes.
E muito mais com Arthur Franco.
Ao menos ele nunca mostrara esse seu outro lado para Luana e Lucas.
Júlia perguntou: — Onde você está? Alguém vai te buscar? Eu vou ligar pra...
— Não.
Luana achou que ela diria que ligaria para Tiago Cavalcante, e recusou de cara.
— E também... não chama o meu irmão, ele já tem dor de cabeça o suficiente. Eu me viro sozinha.
Do outro lado da linha, Júlia a ouvia.
E pôde ouvir o som de garrafas de vidro tombando perto de Luana.
Também ouviu homens dizendo que convidariam Luana para brincar um pouco.
Júlia ficou ansiosa.
— Me mande o seu endereço.
Sérgio acabara de sair do banho quando viu Júlia saindo.
— A Dora já dormiu?
— Já.
Sérgio segurou o braço de Júlia, que andava a passos rápidos.
— Então para onde você vai?
— Pra esse bar. Parece que a Luana está bêbada.
— Qual deles?
— Não sei, ela não disse, mas tem alguns lugares que ela frequenta bastante.
Agora, só de ouvir o nome Franco, Sérgio tinha dor de cabeça.
Por sorte, era Luana e não Lucas.
— Vou com você.

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