Sérgio Santana sentiu seu braço apertar quando Júlia Guedes o abraçou com ambas as mãos.
Ele ficou bastante surpreso.
Afinal, essa confiança e dependência não apareciam entre ele e Júlia há muito tempo.
— Do que está rindo?
Júlia olhou fixamente para as pupilas escuras dele, curvando os olhos em um sorriso.
— Rindo de como você é bobo.
— Eu sou bobo??
Sérgio pensou que o Capitão Caio tivesse lhe contado alguma fofoca, e soltou uma risada contida.
Júlia deu um tapinha leve nas costas dele.
— Tudo bem, você fica encarando todo mundo. Você é super possessivo com todo mundo, não é?
Sérgio e Júlia foram separados depois de entrarem no prédio.
O processo de interrogatório precisava ser conduzido separadamente.
Júlia não tinha muitas pistas, e, enquanto cooperava com a operação, foi gravada o tempo todo no veículo de comando.
Ela terminou de dar seu depoimento em pouco mais de meia hora.
Sérgio demorou mais tempo.
Enquanto sentava-se do lado de fora esperando, Lucas Franco estava saindo lá de dentro.
Como ele era parente direto de Arthur Franco, não tinha tanta liberdade quanto Sérgio. Esteve sob vigilância o tempo todo, acompanhado pelos advogados do Grupo Franco.
Ao ver Júlia, ele apenas parou e a observou por alguns segundos antes de assentir levemente.
Lucas olhou para o outro lado, cumprimentando Sérgio, que acabava de sair.
Desta vez, não havia mais raiva ou ressentimento em seu rosto.
— Como foi?
Júlia perguntou a Sérgio.
Ele balançou a cabeça.
— O caso de Arthur Franco é muito grande, ele provavelmente não vai sair dessa.
— E quanto ao Lucas?
— O Capitão Caio não mencionou, mas ele não tinha conhecimento disso e até cooperou com a operação policial, não deve ser um grande problema.
Dois dias depois, o Capitão Caio informou a Sérgio que eles poderiam deixar o Distrito de Mirante. Se precisassem de mais cooperação futuramente, poderiam resolver isso na Cidade N.
Júlia e Sérgio seguiram caminhos separados no aeroporto da Cidade N.

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