Depois de alinhar tudo com o Capitão Farias, Sérgio passou a asfixiar implacavelmente o fluxo de caixa do Grupo Franco.
Em um projeto desse calibre, onde o poder de decisão estava nas mãos de Sérgio, gerar enormes contas a pagar era uma manobra fácil.
Para piorar a situação, ele assumiu pessoalmente o controle de vários dos projetos mais lucrativos do Grupo Franco. Nas transações comerciais cotidianas, Júlia também não agiu com complacência.
O dinheiro do Grupo Franco estava sendo sugado feito pedaços de papel lançados num exaustor.
Num piscar de olhos, esvaiu-se por completo.
Arthur Franco chegou a morar na empresa por quinze dias consecutivos.
Ele tomava café misturado com bebida alcoólica enquanto engolia pílulas para problemas cardíacos de ação rápida.
Se as coisas continuassem daquele jeito, ele iria sucumbir antes mesmo da empresa.
Sem saída, Arthur ligou para Sérgio: — Diretor Santana, essa sua maneira de agir não é nada ética, não acha?
— A Caução de Garantia de Contrato geralmente é arcada pela parte com a maior cota de investimento. Não se esqueça de que, no fim, os seus lucros serão muitas vezes maiores que os meus!
Sérgio vinha aguardando essa ligação há um bom tempo.
— Você mesmo disse: "geralmente". E quanto ao que diz o contrato?
— O contrato especifica apenas uma faixa de proporção!
Sérgio sorriu: — Então me diga, o valor que eu exigi que você cumprisse ultrapassou essa faixa?
— Tudo bem, você pode negar, mas já sufocou o Grupo Franco a ponto de nenhuma instituição financeira estar disposta a nos conceder grandes empréstimos!
Sérgio ergueu as sobrancelhas: — O Diretor Franco já está no mundo dos negócios há tanto tempo. Não me diga que ficou completamente sem opções.
Arthur não fazia ideia de que a polícia de investigação econômica já havia contatado Sérgio.
Ele simplesmente pensava que Sérgio estava agindo por vingança, aproveitando a oportunidade para esmagar seu fluxo de caixa, tomar uma fatia maior de investimento no projeto e, com isso, garantir retornos ainda mais vultosos.
Não era que Arthur estivesse totalmente de mãos atadas.
O problema é que grande parte do seu fundo de emergência estava alocada em contas no exterior.
Movimentá-las naquele momento já seria excessivamente arriscado.
Se desse um único passo em falso, o patrimônio que ele havia transferido com tanto esforço seria engolido sem deixar vestígios.
— Sérgio, não me force a isso.
— Você não é o único com contatos neste mundo; eu também os tenho. Você não tentou usar sua influência com os órgãos reguladores para esmagar o Grupo Franco? E qual foi o resultado?
— "Não encurrale um inimigo desesperado." Tenho certeza de que você conhece esse ditado.
Sentado à sua enorme mesa de escritório de dois metros de comprimento, Sérgio não pôde evitar um sorriso frio.
— Quanta obstinação, Diretor Franco. Até para implorar, o senhor consegue ser original.
Antes que ele pudesse terminar a frase, ouviu o estrondo do outro desligando o telefone na sua cara.
Com o bipe de chamada encerrada ecoando no aparelho, a expressão de Sérgio tornou-se plácida.


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