— Você sabe o quão boa Júlia está sendo comigo agora?
— Talvez, daqui a um tempo, ela aceite o meu anel de noivado.
Sérgio Santana não pôde evitar sorrir.
Ele já havia enviado os rascunhos do design para a marca.
Era da marca que Júlia Guedes representava; desta vez ela poderia usá-lo orgulhosamente no dedo anelar.
Enquanto estava submerso em seus belos sonhos, uma pergunta fria veio da porta.
— É mesmo?
Júlia Guedes empurrou a porta.
Carregando uma mala pequena nas mãos.
Ela a jogou com tanta força que os fechos se soltaram.
As roupas e os itens essenciais de Sérgio Santana espalharam-se pelo chão com um baque.
Sérgio Santana congelou.
O Dr. Mendes também ficou sem palavras, olhando fixamente para a porta.
— Se-senhora.
Júlia Guedes se lembrou da voz sorridente e complacente de Sérgio Santana agora pouco.
Na última quinzena, o coração dela apertava diariamente, temendo que qualquer dia Sérgio Santana não aguentasse.
Por ser uma doença terminal, Júlia Guedes havia tolerado a decisão dele de não se hospitalizar. Muitas vezes ela não conseguira dormir pensando naquilo.
Sua tristeza, sua culpa, a sua comoção tornaram-se todas uma grande piada naquele momento.
Uma intensa onda de vergonha e raiva subiu-lhe à cabeça.
Júlia Guedes sentiu-se completamente idiota!
Ela quase, por um triz, se aproximou de Sérgio Santana novamente, acreditando nas suas mentiras absurdas!
— Sérgio Santana, brincar comigo é tão divertido assim, não é?
— Ver-me sem saber de nada, caindo passo a passo na sua armadilha, o deixa muito orgulhoso, não é?
— Eu e nossa filha fazendo casinha com você na mansão, isso é muito divertido, não é?!
O tom de Júlia Guedes tornava-se mais severo a cada pergunta.
Percebendo a tempestade iminente, o Dr. Mendes esgueirou-se rente à parede e fugiu.
Sérgio Santana rapidamente arrancou o acesso intravenoso de sua mão.
E atirou-se para fora da cama, agarrando Júlia Guedes.
— Não é isso, não tem graça nenhuma, me deixe explicar!
A descida precipitada da cama por Sérgio Santana foi brusca demais.
A anemia atacou.
Tonto, ele bateu contra a porta, sua visão escureceu e ele deslizou porta abaixo.
Sentado no chão, sem conseguir focar o olhar, ele tateou a roupa de Júlia Guedes e agarrou-se a ela com firmeza.
— Eu não te enganei de propósito.
— Só fui... ganancioso.

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