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Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 452

Júlia estava copiando os dados do último projeto.

Para uma velha raposa como Arthur Franco, invenções sem sentido jamais passariam despercebidas.

Sete partes de verdade e três de mentira, só assim conseguiria enganá-lo.

Enquanto ela prendia a respiração, fixando os olhos na barra de progresso.

As luzes do quarto de repente se acenderam.

Sérgio estava com uma mão no interruptor e a outra agarrada com força ao batente da porta.

Ele estava na penumbra do lado de fora, com o olhar sombrio, sem o menor brilho.

— O que você está fazendo?

Júlia endireitou o corpo, deixando a mão pousar levemente sobre a mesa.

Passado o susto inicial,

ela sequer removeu o pendrive, apenas aceitou o escrutínio de Sérgio com uma calma pálida e resignada.

— Você viu tudo.

— Eu estou te perguntando.

A barra de progresso chegou ao fim.

Júlia fechou os arquivos criptografados.

E até ejetou o dispositivo com segurança.

— Para quem você pretende entregar esses dados?

— Arthur Franco?

Os olhos de Sérgio estavam vermelhos, e um sorriso quebrado se formou no canto de seus lábios.

— Se não, então é para o Lucas Franco.

— Júlia, em comparação aos Franco, pai e filho, eu sou tão indigno assim da sua confiança?

— Você tem ideia de que, se entregar isso, quantos projetos da Oceano serão cancelados? Quantos funcionários serão responsabilizados? Aquele dinheiro todo queimado, aos seus olhos, são apenas números, não é?

Sérgio parecia alguém desesperado por atenção.

Quanto mais fria era a atitude de Júlia,

mais ele não conseguia evitar dizer coisas duras para provocá-la.

O que ele menos suportava era que

Júlia não havia ficado porque ele tinha bebido e estava se sentindo mal.

Ela tinha um propósito.

Ele, Sérgio Santana, já não era digno da atenção, do carinho... e do amor de Júlia há muito tempo.

Se Júlia não tivesse entrado por aquela porta hoje e não estivesse levando os dados confidenciais tão calmamente na sua frente,

ou se Lucas não tivesse feito aquela ligação,

Júlia desbloqueou o celular com raiva e o jogou sobre a mesa.

Uma gravação de áudio começou a tocar.

Era a voz de Arthur Franco.

— No mundo dos negócios, o que importa é o benefício mútuo.

A voz de Sérgio no alto-falante soava ainda mais fria do que o habitual.

— Se perder a criança, pode ter outra.

— A Júlia ainda é jovem. Contanto que eu queira, sem falar em um, ter dois em três anos não é nada.

O dedo indicador de Júlia bateu duas vezes na mesa de madeira maciça.

— Pedir ajuda a você seria uma piada.

— E quanto a ser o pai da criança, você acha que merece?

Júlia sempre pensou que

o ressentimento entre ela e Sérgio já fosse como um monte de cinzas enegrecidas.

Enterradas no solo árido do seu peito, algo que o tempo há muito havia apagado.

Mas agora ela percebia.

Que nada havia ficado no passado.

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