— Eu não sou tão desprezível e desavergonhado como você diz!
Sérgio Santana deu meio passo à frente, a sensação de opressão que exalava de seu corpo quase palpável.
— Então você se atreve a dizer que nunca pensou nesse problema? Se atreve a dizer que Arthur Franco não te falou que, ao fazer isso, bastaria eu ceder para que você pudesse arrastar o Oceano para o fundo do poço junto?
A respiração de Lucas Franco começou a ficar ofegante.
Sérgio Santana riu friamente:
— Você só não aceita perder, não se conforma em perder para mim e nem para o seu pai, por isso agiu por impulso para provar que não é um molenga que os outros manipulam como bem entendem.
— Eu não sou isso!
Os olhos de Lucas Franco estavam vermelhos.
— Eu tenho como resolver essa dívida, não vou arrastar a Júlia para isso.
Sérgio Santana lançou-lhe um olhar desinteressado.
E resumiu tudo numa palavra.
— Besteira.
— Qual é a sua carta na manga? Você só está usando o dinheiro da Júlia para tentar a sorte junto com você.
Lucas Franco agarrou o colarinho de Sérgio Santana:
— Isso é mentira!
Ele estava como um gato que pisaram no rabo, totalmente fora de controle, agarrando o terno de Sérgio Santana.
Como Sérgio Santana se deixaria imobilizar? Ele girou e prendeu o braço de Lucas Franco com um golpe reverso.
Empurrando-o diretamente contra a beirada do terraço no segundo andar.
Metade do corpo de Lucas Franco ficou pendurada do lado de fora, enquanto o vento frio subia, ressecando os cantos de seus lábios.
— O que vocês estão fazendo?!
Um grito tenso de repreensão se ouviu.
Júlia Guedes tinha visto a silhueta de Lucas Franco de longe, mas nunca imaginou que, ao se aproximar, o veria quase despencando do terraço.
Ao ouvir a voz, Lucas Franco relaxou todo o corpo.
A taça de champanhe caiu no chão, estilhaçando-se num mar de cacos de vidro dourado pálido.
Com o desequilíbrio das forças, o corpo dele balançou para fora.
Júlia Guedes agarrou a roupa de Lucas Franco e deu um forte empurrão em Sérgio Santana.
— Você ficou louco!
A raiva e o pânico se misturavam no fundo dos seus olhos, e sua voz soou extremamente rígida:
— Lucas, você está bem?
Sérgio Santana foi empurrado e cambaleou dois passos para trás, batendo a cintura contra o balaustre de pedra. Uma dor se espalhou das costas direto para o estômago.
Naquele instante, o sangue de Sérgio Santana esfriou.
Uma dor surda irradiou do seu estômago para todas as direções.
Ele cerrou com força os punhos que pendiam nas laterais do corpo.
No fim das contas, no coração de Júlia Guedes, ele sempre seria aquele homem de histórico sujo, que só sabia usar o poder opressor com uma possessividade implacável.
E toda a sua dedicação e entrega pareciam nada mais que uma hipocrisia ridícula aos olhos dela.
Havia muitas pessoas no local.
Logo, pessoas do trabalho de Júlia Guedes vieram chamá-la.
Lucas Franco exalou o ar dos pulmões.
— Pode ir, eu estou bem, e também não vou fazer nenhuma cena feia com o Diretor Santana.
Júlia Guedes se virou e foi embora.
Só então Sérgio Santana percebeu que o vento no terraço estava cortante.
Ele não conseguiu mais se segurar, cobriu a boca e começou a tossir.
Tossiu tanto que, de repente, curvou as costas, apoiando-se na parede e teve uma ânsia de vômito.
Lucas Franco, ao ver aquilo, franziu a testa.
— O que está acontecendo com você?

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