Júlia Guedes queria fechar os olhos e descansar um pouco.
Mas não conseguia dormir.
Bastava fechar os olhos para pensar nas manchas de sangue no local do acidente.
Luan Franco ligou.
— Julinha, meu irmão está aí com você? Por que ele não atende minhas ligações? Ele tinha combinado de dar uma entrevista exclusiva para uma revista amanhã, esse cara é impossível!
Júlia então se lembrou de que, no dia anterior, antes de ir à creche buscar Dora, havia prometido a Lucas Franco que voltaria à empresa para resolver os problemas após pegar a criança.
Não esperava sofrer um acidente de carro.
Após desligar o telefone, Júlia também tentou ligar para Lucas, mas igualmente não conseguiu contato.
Ela vestiu o casaco e saiu da Oceano.
Éder a viu e foi atrás.
— Senhora, seu telefone estava dando ocupado o tempo todo, sua agente acabou ligando para mim.
Júlia pegou o celular e, assim que o encostou no ouvido, ouviu um choro desesperado e de partir o coração.
A voz da menininha estava rouca e suave, cheia de pânico.
— Mamãe!
No dia anterior, Dora havia ficado o tempo todo dentro do carro.
Mas o som estridente da freada.
A imagem do veículo capotando, despedaçado, e o chão coberto de sangue ainda trouxeram um grande impacto para Dora.
— A Dora não consegue dormir, onde você está, mamãe?
— Posso ir até aí te procurar?
— A bisavó disse que você está no hospital, buááá, eu também quero ir ao hospital.
Ao ouvir o choro da filha, o coração de Júlia se partiu.
Éder disse em voz baixa:
— A família Cardoso ainda não foi solta, e o vietnamita também foi preso, não deve haver perigo.
Os nervos tensos de Júlia relaxaram um pouco.
— Seja boazinha, Dora, assim que a mamãe terminar de trabalhar aqui, volta para te buscar, tá bom?
Dora balançou a cabeça:
— Não tá bom.
Patrícia Prado ouviu ao lado e sugeriu:
— Júlia, termine seu trabalho aí primeiro, depois me avise quando for ao hospital, eu e a Tati levamos a Dora para nos encontrarmos com você.
— Fique tranquila, a mansão tem guarda-costas, está tudo bem.
Júlia também queria ver Dora o mais rápido possível e concordou.
Só que, assim que desligou o telefone, foi bloqueada por um homem desconhecido.
Era uma pessoa inteligente.
A primeira frase de Júlia, indo direto ao ponto, foi:
— O Lucas está bem, não é?
Para ser sincero.
Naquele momento, os sentimentos de Arthur eram bastante complexos.
Originalmente, ele achava que Júlia só tinha conseguido erguer sua carreira graças à Império Mídia e a Lucas.
Agora, vendo bem, parecia que não era assim.
Uma mulher normal, depois de passar por um acidente, com certeza estaria apavorada, chorando e sendo manipulada pelos outros.
Lucas estava com as duas mãos apoiadas nos joelhos.
— É difícil acreditar que você ainda pensa nesse meu filho inútil.
— Ele está bem, mas, na minha opinião, não é muito sensato.
Arthur empurrou um documento.
— Diretora Guedes, dê uma olhada nisso primeiro.
Júlia leu rapidamente.
E apertou levemente a palma da mão.
— O Diretor Franco quer abrir mão da subsidiária Império Mídia?

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