Rhys ouvia um zumbido, e a voz de Lucretia parecia distante. Muito distante, ao ponto de ele não conseguir entender o que ela dizia.
Imagens começaram a aparecer na frente dele, dentro da mente, e cada uma parecia capaz de atingir um nervo diferente, causando uma dor diferente.
Eram as memórias dele, por isso, mesmo em meio ao desespero, Rhys não queria que parasse. Ele dizia a si mesmo que precisava aguentar.
Embry estava ali para ajudá-lo, mesmo sofrendo com as lembranças.
Quando a dor passou, Rhys estava em sua própria cama, e viu o teto escurecido pela sombra da noite. Ele piscou algumas vezes e tentou se mover. O corpo parecia que tinha sido atropelado por um caminhão.
— Calma, fica quietinho — a voz de Lucretia, dessa vez, pôde ser ouvida e entendida por ele. Rhys virou o rosto e a viu aproximando-se, com um sorriso gentil. Ela tocou na testa dele e Rhys usou tudo o que tinha para puxá-la para ele e a abraçar com força. — Opa!
Lucretia o abraçou de volta e fechou os olhos, deixando-se aproveitar aquela sensação maravilhosa que era ter Rhys com ela.
Lá no fundo, ela sentiu algo se movendo. Kali. A loba estava tentando se libertar do que a puxava para baixo, e com isso, a pele de Lucretia parecia “pinicar” onde Rhys a tocava.
Uma fagulha de esperança se instaurou lá no fundo do coração dela, pois para ela, não era a chance da loba voltar, apenas, e sim… Rhys seria seu companheiro?
Ela vinha desejando isso por tanto tempo, que às vezes se perguntava se não era algo que estava inventando dentro da própria cabeça.
Rhys a soltou apenas para poder olhar no rosto de Lucretia.
— Eu lembro — ele disse e viu as pupilas dela se abrindo. — Eu lembro de tudo. Eu lembro de nós dois.

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