O laboratório do bando ShadowBlood estava mergulhado em um silêncio sepulcral, quebrado apenas pelo zumbido dos equipamentos de análise. Martin, que passara as últimas horas debruçado sobre o microscópio, finalmente se afastou da bancada. Seu rosto estava lívido.
— Luna, Alfa... o que Darick encontrou não é um veneno comum — Martin começou, limpando o suor frio da testa. — É uma substância que os antigos chamavam de "Prata Viva". Mas não é prata de verdade. É uma mistura alquímica, algo que exige conhecimentos de bruxaria para ser destilada.
Lucretia cruzou os braços, sentindo um calafrio.
— O que ela faz, Martin? Vá direto ao ponto.
— Ela consome o lobo — o Beta respondeu, a voz embargada. — Ela não mata o hospedeiro imediatamente. Ela cria uma barreira entre a consciência humana e a essência animal. O lobo fica preso em uma agonia constante, sendo "drenado" para alimentar a sugestão mental que quem administra o líquido impõe. Por isso o Alfa Bellanti parece um autômato. Ele não está apenas dopado; o lobo dele está lutando para sobreviver a um ataque interno.
Rhys sentiu uma pontada de dor excruciante na nuca, como se um prego quente estivesse sendo cravado em sua espinha. Ele cambaleou, apoiando-se na mesa de metal.
— Foi isso... — ele sussurrou, a voz saindo como um rosnado abafado. — Eu lembro dessa dor na floresta. Aquela mulher... ela me injetou algo.Fui levado para uma cela.
As memórias não estavam completas, mas só aquilo fez o corpo de Rhys todo convulsionar. A mente dele não o permitia lembrar do que tinha se passado — e talvez fosse o melhor — mas a voz. A voz da mulher!
Lucretia correu para o lado dele, segurando-o firme.
— Rhys! Você está lembrando?


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