Rhys levantou-se, sua altura imensa fazendo Jamil recuar instintivamente contra a janela.
— Eu não lembro de muitas coisas, Conselheiro, mas eu sei quando um macho está com medo. O que você está escondendo?
— Alfa, eu... eu estou apenas preocupado com o futuro do bando! — Jamil gaguejou, o suor agora visível em sua testa. — Não entendo por que está duvidando! Eu trabalho aqui nesse cargo desde o seu pai!
O tom de Jamil era o de pura ofensa, no entanto, Rhys, sem suas memórias, não tinha nenhum pré-julgamento que o fizesse tender a “compreender” melhor a Jamil. Não tinha sentimentos envolvidos, apenas praticidade e o que os instintos dele diziam.
— Alfa, alguém andou falando mal de mim? — Jamil lembrou do rapaz no campo de treinamento, que o olhou estranho. — Foi algum dos humanos? Porque eu duvido que os dois Alfas aqui de visita o fariam.
Foi então e vez de Lucretia se pronunciar.
— Conselheiro Jamil, sabe que eu tenho respeito pelo senhor, e consideração, pois foi quem me acolheu quando cheguei aqui. No entanto — ela fez uma pausa —, isso não significa que eu fecharei os olhos para o que se passa. Não, ninguém fez qualquer fofoca. Eu mesma venho observando o seu comportamento. Conselheiro Jamil, se eu descobrir que está facilitando essa visita para ajudar minha madrasta a levar meu pai ou para pressionar o meu divórcio... você não terá um bando para aconselhar.
— Eu jamais faria tal coisa! — Jamil recuperou a compostura, embora as mãos tremessem levemente ao fechar a pasta. — Só estou tentando evitar uma guerra. O Alfa McCormack é poderoso. Se ele decidir que quer a predestinada dele pela força, o ShadowBlood, sem o Alfa em seu pleno poder, sofreria perdas irreparáveis!
Lucretia sentiu uma pontada de dúvida. A lógica de Jamil era irritantemente sólida, mas o cheiro dele dizia o contrário. Havia algo de podre ali.
— Saia — Rhys ordenou. — E prepare os aposentos para a comitiva. Mas deixe claro uma coisa: Jeane Bellanti é uma convidada, não uma autoridade aqui. E McCormack terá sua resposta no momento certo.
Jamil fez uma reverência apressada e saiu. Assim que a porta se fechou, Rhys soltou um longo suspiro e levou a mão à cabeça, massageando as têmporas. A pontada de dor voltou, mais forte.
— Você está bem? — Lucretia correu para o lado dele.

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